O Ministério Público de Goiás denunciou na terça-feira, dia 28, o tenente-coronel Edson Luís Souza Melo e o major Renyson Castanheira Silva, da Polícia Militar de Goiás, pelo assassinato do piloto de helicóptero e delator do Primeiro Comando da Capital, Felipe Ramos Morais, além dos mecânicos Nathan Moreira Cavalcante e Paulo Ricardo Pereira Bueno.
Laudos periciais comprovam disparos pelas costas em 2023
O crime ocorreu em 17 de fevereiro de 2023, às margens da BR-060, na divisa entre Goiânia e Abadia de Goiás. Segundo a denúncia, os policiais militares se deslocaram até o local sob a justificativa de averiguar uma denúncia anônima sobre tráfico de drogas. Conforme os promotores, os agentes encontraram as vítimas próximas a aeronaves e, sem qualquer agressão prévia, efetuaram disparos pelas costas.
A perícia técnica rechaçou a versão de confronto frontal apresentada pelos policiais. “Os laudos de exame cadavérico e o parecer pericial atestam que as vítimas foram atingidas por múltiplos disparos pelas costas. Especificamente em relação a Felipe e Paulo, constatou-se que sofreram disparos com trajetória fortemente ascendente, evidenciando que foram alvejados quando já se encontravam caídos e rendidos em decúbito ventral”, detalhou a Promotoria.
Fraude na cena do crime e omissão de socorro
O Ministério Público aponta que, após a execução, os denunciados alteraram a cena do crime para forjar uma excludente de ilicitude. Os policiais teriam recolhido 12 dos 15 estojos deflagrados e movimentado os corpos. Além disso, as armas que supostamente pertenciam às vítimas foram encontradas com capacidade máxima de munição, indicando que não foram disparadas.
A denúncia destaca ainda que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado com atraso injustificado, apenas após a completa alteração do local. O tenente-coronel Edson Luís Souza Melo, que atuou como assessor de segurança na campanha de Pablo Marçal à Prefeitura de São Paulo em 2024, e o major Renyson Castanheira Silva foram denunciados pelo Gaesp, braço do Ministério Público de Goiás.
Anulação de bloqueios após morte de delator do PCC
Felipe Ramos Morais era a principal testemunha da Polícia Federal na Operação Rei do Crime, que investigou esquemas de lavagem de dinheiro da cúpula do PCC. Com a morte do delator, a Justiça não homologou sua colaboração e anulou as operações que haviam bloqueado R$ 800 milhões em bens ligados à família de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.
A Polícia Militar de Goiás informou que não foi notificada da decisão de recebimento da denúncia. A corporação afirmou que, após a devida notificação, “adotará integral e imediatamente as providências necessárias ao cumprimento das determinações judiciais, reafirmando seu compromisso com a legalidade e a cooperação institucional”.
Fonte: Estadão