Emirados Árabes Unidos anunciam saída da Opep e Opep+ a partir de maio em contexto de Finanças do Brasil Emirados Árabes Unidos anunciam saída da Opep e Opep+ a partir de maio em contexto de Finanças do Brasil

Emirados Árabes Unidos anunciam saída da Opep e Opep+ a partir de maio

Emirados Árabes Unidos oficializam saída da Opep e Opep+ a partir de 1º de maio buscando autonomia na produção de petróleo frente às tensões regionais.

Os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta terça-feira (28) que deixarão a Organização dos Países Exportadores de petróleo (Opep) e o grupo Opep+, que engloba aliados como a Rússia. A medida foi oficializada pelo ministro de energia, Suhail Mohamed al-Mazrouei, e entra em vigor a partir de 1º de maio.

A decisão ocorre em um momento de instabilidade no Oriente Médio, exacerbada pelo conflito envolvendo o Irã e por perturbações logísticas no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz. Conforme comunicado pelo governo, a saída reflete uma estratégia alinhada aos fundamentos de longo prazo do mercado, visando maior autonomia na gestão dos interesses petrolíferos nacionais.

Produção dos Emirados pode chegar a 5 milhões de barris diários

A saída de um dos maiores produtores mundiais, que detém a 5ª maior reserva e é o 4º maior produtor global, pode impactar a capacidade da organização de influenciar os preços da commodity. Tradicionalmente, o grupo coordena metas de produção para buscar o equilíbrio entre a oferta e a demanda mundial.

Especialistas da Rystad e do Saxo Bank avaliam que a Opep se torna, estruturalmente, mais fragilizada. Com a desvinculação das restrições de cotas, os Emirados Árabes Unidos ganham incentivo para elevar a extração, visando atingir a meta de 5 milhões de barris por dia até 2027 — um objetivo que seria mais difícil de concretizar sob as limitações impostas pelo cartel.

Tensões regionais entre Abu Dhabi e Arábia Saudita

O anúncio não foi discutido previamente com os demais membros, incluindo a Arábia Saudita, principal liderança do bloco. A relação bilateral entre os dois países enfrenta tensões devido à disputa por influência na região.

Apesar do impacto estratégico, o analista Michael Brown, da Pepperstone, ressalta que, no curto prazo, o mercado está mais focado nos entraves logísticos causados pelo fechamento do Estreito de Ormuz do que na mudança de composição da Opep. Para o analista Sergey Vakulenko, o momento foi escolhido estrategicamente, visto que os preços do petróleo seguem elevados devido à escassez real provocada pelo conflito na região.

Fonte: G1