Os preços do petróleo registraram forte alta nesta terça-feira, atingindo o maior patamar em um mês. O movimento foi impulsionado pelo anúncio oficial de que os Emirados Árabes Unidos deixarão a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e o grupo aliado Opep+ a partir de 1º de maio.
Brent valoriza 2,80% e atinge US$ 111,26 o barril
Por volta das 13h15, o petróleo tipo Brent, referência internacional, apresentava valorização de 2,80%, sendo negociado a US$ 111,26 o barril. Mais cedo, a cotação chegou a atingir US$ 112,53, o maior nível desde 27 de março. O petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, acompanhou a tendência com alta de 3,65%, cotado a US$ 99,89.
A saída dos Emirados Árabes, membro do grupo desde 1967, é vista como um golpe significativo para a coesão da organização, especialmente para a Arábia Saudita, principal liderança do cartel. O ministro de Energia dos Emirados, Suhail Mohamed al-Mazrouei, confirmou a decisão, ressaltando que o país não consultou outros membros antes de formalizar a saída.
Tensões no Golfo e críticas ao Conselho de Cooperação
A decisão ocorre em um momento de crise energética agravada pelo conflito envolvendo o Irã, que tem impactado o fluxo de exportações pelo Estreito de Ormuz. O governo dos Emirados Árabes criticou a postura de outros países árabes e do Conselho de Cooperação do Golfo, classificando-a como insuficiente diante dos ataques iranianos a navios na região.
Anwar Gargash, conselheiro diplomático do presidente dos Emirados, afirmou que a resposta Política e militar dos países vizinhos tem sido historicamente fraca. A medida também ganha contornos políticos internacionais, sendo interpretada como uma vitória para o ex-presidente americano Donald Trump, que frequentemente criticou a Opep por manter preços elevados.
Embora o ministro Al-Mazrouei tenha declarado que a saída reflete uma análise estratégica de longo prazo e não deve gerar grandes impactos imediatos, analistas apontam que a decisão pode enfraquecer o controle da Opep sobre a oferta global e aumentar a volatilidade dos preços da commodity.
Fonte: G1