As ações da Vale (VALE3) registraram queda nesta quarta-feira (29) diante da reação cautelosa do mercado aos resultados do primeiro trimestre de 2026. Mesmo com o avanço no lucro líquido, a percepção dos investidores foi pressionada por uma estrutura de custos mais elevada e números operacionais que ficaram abaixo das projeções de mercado.
Lucro de US$ 1,9 bilhão e custo C1 em US$ 23,6 por tonelada
A companhia reportou lucro líquido de US$ 1,9 bilhão, uma alta de 39% na comparação anual, revertendo o prejuízo dos meses anteriores. Contudo, o Ebitda ajustado de US$ 3,9 bilhões decepcionou, ficando 3% abaixo do consenso. O custo caixa C1 do minério de ferro subiu 12% em um ano, atingindo US$ 23,6 por tonelada.
Essa deterioração na dinâmica de custos foi atribuída a diversos fatores, incluindo:
- A valorização do real frente aodólar;
- Efeitos do giro de estoques e despesas com royalties;
- Pressões macroeconômicas, como o cenário geopolítico global e custos deenergia;
- Ajustes contábeis e marcação a mercado de instrumentos financeiros.
Metais básicos impulsionam Ebitda enquanto dívida sobe
A unidade de metais básicos foi um ponto positivo, com Ebitda de US$ 1,2 bilhão, mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2025, impulsionada pelos preços do cobre e do níquel. A estratégia de fretes de longo prazo ajudou a mitigar parte da pressão sobre as margens.
Casas de análise mantêm recomendações construtivas, argumentando que a tese estrutural permanece intacta. O fluxo de caixa livre somou US$ 813 milhões, impactado pela sazonalidade e pagamento de dividendos, enquanto a dívida líquida expandida subiu para US$ 17,8 bilhões, mantendo-se dentro das metas da empresa.
Fonte: Globo