O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, determinou a soltura de Andreson de Oliveira Gonçalves, apontado como um dos principais operadores de um esquema de venda de sentenças que teria envolvido gabinetes do Superior Tribunal de Justiça. A decisão baseia-se na demora do Ministério Público em apresentar a denúncia formal contra o investigado.
O que você precisa saber
- Andreson de Oliveira Gonçalves deixa a prisão domiciliar após o STF identificar excesso de prazo na acusação.
- O investigado estava detido desde novembro de 2025 por suposta participação em rede de venda de decisões judiciais.
- A medida cautelar foi substituída por monitoramento eletrônico, mantendo as restrições impostas anteriormente.
Em seu despacho, o ministro destacou o dilatado período de prisão sem que houvesse o oferecimento da peça acusatória. Antes de ser transferido para o regime domiciliar, o operador permaneceu por oito meses detido na Penitenciária Central do Estado, em Cuiabá.
Condições de saúde e antecedentes
Durante o período de encarceramento, a defesa de Andreson de Oliveira Gonçalves reportou um quadro de saúde crítico, incluindo a perda de peso superior a 25kg e o agravamento de um quadro de diabetes. O investigado possui histórico de cirurgia de gastrectomia realizada em 2020, o que, segundo seus advogados, compromete sua capacidade de absorção de nutrientes.
Estrutura do esquema investigado
As investigações da Polícia Federal apontam o empresário como um dos principais articuladores de um mercado de influência paralelo. De acordo com o relatório, o grupo firmava contratos de consultoria milionários para garantir decisões previamente combinadas.
A estrutura criminosa funcionava dividida em três núcleos, contando com a participação de servidores públicos, advogados e lobistas, além de empresários do agronegócio interessados em sentenças favoráveis. A comunicação do grupo utilizava termos cifrados, como a expressão “a obra está pronta”, para confirmar a conclusão de minutas de decisões.

Atualmente, a Procuradoria-Geral da República solicitou à Polícia Federal que aprofunde as diligências para obter novos dados sobre o esquema. Enquanto a investigação prossegue, o monitoramento eletrônico substitui a restrição total de liberdade do investigado.
Fonte: G1