Com mais de uma década de atuação no setor de mídia em Gana, Ewurama Attoh construiu uma trajetória que abrange desde reportagens televisivas até a coapresentação de programas matinais. A profissional destaca que sua motivação reside na capacidade de influenciar o debate público e dar visibilidade a vozes frequentemente sub-representadas.

“Eu tenho uma paixão real pela comunicação”, afirmou Attoh. “Eu vi como essa paixão pode ajudar a moldar o discurso público e ajudar a trazer à tona vozes que muitas vezes são sub-representadas.”
Entretanto, essa dedicação pode se tornar um obstáculo para mulheres jornalistas no país. Segundo Ama Kodjo, diretora de programas da DW Akademie em Gana, quanto mais as profissionais avançam em suas carreiras e buscam pautas de maior relevância, mais resistência e desafios elas encontram no ambiente de trabalho.
Treinamento focado em segurança e mitigação de riscos
Para enfrentar esse cenário, a DW Akademie promoveu o projeto “Segurança para Jornalistas Mulheres”. O workshop reuniu 12 profissionais no norte de Gana, região caracterizada por um contexto mais patriarcal, para discutir experiências dentro e fora das redações. O foco foi prático: técnicas de intervenção em situações difíceis, avaliação de riscos e protocolos de segurança pessoal.
“Houve muito interesse nisso, porque esses tipos de workshops não são tipicamente oferecidos por seus empregadores de mídia”, observou Kodjo. As discussões incluíram desde cuidados básicos, como o porte de cartões de seguro e a escolha de hotéis com rotas de fuga, até estratégias para cobrir eventos violentos.
Shawana Yussif, chefe da sucursal norte da Channel One TV e da Citi FM, relatou que os desafios são constantes. “Eu enfrento recursos limitados para reportagens de campo, redes rodoviárias precárias ao cobrir áreas remotas, pressão para cumprir prazos apertados e, às vezes, dificuldade em acessar informações oportunas de instituições”, disse Yussif. Ela ressaltou que a situação envolve riscos de segurança e a necessidade de equilibrar velocidade com precisão.
Barreiras de credibilidade e o mercado de trabalho
Gana ocupa a 52ª posição entre 180 países no Índice Mundial de Liberdade de Imprensa de 2025. O ambiente é marcado por restrições financeiras e ameaças, o que torna o desenvolvimento de habilidades de resiliência essencial para a classe jornalística.
Attoh relata que, além dos riscos físicos, enfrenta barreiras de credibilidade. “Eu muitas vezes tenho que trabalhar duas vezes mais para ser ouvida e levada a sério, especialmente quando se trata de tomada de decisão no local de trabalho”, explicou. Ela mencionou casos em que convidados masculinos cancelaram participações em programas ao saberem que seriam entrevistados por uma mulher.
Hamdia Abdul Hameed, âncora e repórter da organização multimídia Zaa, confirma que a situação é recorrente. “Em tais situações, algumas pessoas podem se tornar defensivas ou indispostas a compartilhar informações”, disse Hameed. “Eu apenas tento permanecer calma e profissional e evitar o confronto.”
Protocolos de segurança e a experiência em campo
Durante o treinamento, Yussif compartilhou uma experiência recente em uma área remota enquanto cobria os impactos da seca. Ao ser transportada por agricultores que portavam facões, a jornalista sentiu-se insegura, mas manteve a calma para concluir o trabalho.
“Eu permaneci calma e gravei discretamente um pequeno vídeo do grupo”, relatou Yussif. “Eu então compartilhei com um membro da família de confiança e um amigo próximo. Eu também enviei a eles minha localização em tempo real.”
“Eu tomei essas precauções”, continuou, “para garantir que outros estivessem cientes de onde eu estava e com quem eu estava. Felizmente, nada de prejudicial aconteceu, e eu fui capaz de completar a tarefa com segurança.”

Fonte: Dw