Meta eleva gastos com IA e ações caem apesar de receita recorde

A Meta reporta receita recorde, mas ações caem 6,5% devido ao aumento nos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial para 2026.

A Meta Platforms reportou um primeiro trimestre de 2026 com resultados financeiros expressivos, mas viu suas ações recuarem cerca de 6,5% nas negociações após o fechamento do mercado. O investidor reagiu negativamente ao aumento nas projeções de gastos com capital, superando as expectativas de receita que atingiram US$ 56,3 bilhões, um crescimento de 33% em relação ao ano anterior.

Sede da Meta Platforms com foco em infraestrutura de IA
A Meta enfrenta pressão de investidores devido ao aumento nos gastos com infraestrutura de IA.

O lucro por ação ajustado da companhia alcançou US$ 10,44, superando a estimativa de US$ 6,79. Apesar do desempenho operacional sólido, a empresa elevou sua previsão de gastos com capital em US$ 10 bilhões no ponto médio, impulsionada principalmente pela alta nos custos de componentes, como memórias, para sustentar a infraestrutura de inteligência artificial.

Queda de 5% em usuários ativos diários da família de aplicativos

Um fator que pesou na confiança dos investidores foi a queda de 5% na comparação trimestral de pessoas ativas diariamente (DAP) na unidade de aplicativos da família Meta, que engloba Facebook, Instagram, Messenger e WhatsApp. Embora o número total de usuários tenha crescido 4% na comparação anual, atingindo 3,56 bilhões, o recuo trimestral gerou preocupação.

“Nós vimos uma pequena diminuição no total de diários da família devido a interrupções na internet no Irã e bloqueios na Rússia, mas, fora isso, as tendências em nossos aplicativos são fortes. Usuários diários e mensais no Instagram e no Facebook continuam a crescer, com o vídeo impulsionando um engajamento recorde em ambos os aplicativos”, afirmou o CEO Mark Zuckerberg durante a teleconferência de resultados.

Infraestrutura interna e compromissos contratuais de US$ 107 bilhões

Diferente de concorrentes como a Alphabet e a Microsoft, a Meta não possui uma oferta pública de nuvem, o que torna seus investimentos em infraestrutura voltados exclusivamente para necessidades internas. Essa característica atrai um escrutínio maior dos investidores, já que o retorno sobre o capital investido depende diretamente da demanda pelos produtos da própria empresa, e não da venda de capacidade para terceiros.

A CFO Susan Li destacou a estratégia de longo prazo: “Estamos também assinando acordos de nuvem que entrarão em vigor ao longo deste ano e de 2027, permitindo-nos escalar mais rapidamente. Esses acordos plurianuais de nuvem e nossos contratos de compra de infraestrutura impulsionaram um aumento de US$ 107 bilhões em nossos compromissos contratuais neste trimestre”.

Projeções de receita até US$ 61 bilhões para o segundo trimestre

Para o segundo trimestre de 2026, a Meta projeta uma receita entre US$ 58 bilhões e US$ 61 bilhões. No acumulado do ano, a empresa reiterou a previsão de despesas totais entre US$ 162 bilhões e US$ 169 bilhões, enquanto os gastos com capital foram ajustados para uma faixa entre US$ 125 bilhões e US$ 145 bilhões.

Sede da Meta Platforms
A Meta Platforms enfrenta pressão de investidores devido ao aumento nos gastos com infraestrutura de IA.

Fonte: Cnbc