A pré-candidatura do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa à Presidência da República pelo Democracia Cristã (DC) desencadeou um racha interno na sigla. A decisão, promovida pela cúpula nacional da legenda, enfrenta forte resistência de Aldo Rebelo, também pré-candidato, que ameaça acionar a Justiça para manter seu espaço na disputa.
Cúpula nacional aposta em Joaquim Barbosa para atrair eleitorado
A iniciativa do presidente nacional do DC, João Caldas, fundamentou-se em pesquisas internas que indicam maior potencial eleitoral de Barbosa em comparação com o atual pré-candidato Aldo Rebelo. O objetivo da agremiação é conquistar o eleitorado antipetista e parcelas da direita que rejeitam o nome de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Joaquim Barbosa, que presidiu o STF entre 2012 e 2014 e atuou como relator do Mensalão, é visto pela direção como um nome viável para a construção de um projeto de união nacional. Apesar da articulação, a candidatura ainda carece de confirmação pública, com o ex-ministro sinalizando que sua participação depende de garantias de estrutura, coligações e tempo de televisão.
Aldo Rebelo classifica movimentação como afronta democrática
Aldo Rebelo reagiu publicamente e qualificou o anúncio do partido como um “balão de ensaio” e uma “afronta” aos processos democráticos internos da legenda. O ex-ministro, que possui histórico em gestões do Partido dos Trabalhadores, mas hoje transita pelo bolsonarismo, declarou que seguirá com sua pré-candidatura até a convenção partidária, que deve ocorrer entre julho e agosto.
A insatisfação com a cúpula nacional também se estende aos diretórios estaduais. Lideranças de estados como São Paulo e Roraima manifestaram oposição aberta à tentativa de substituição do nome de Rebelo por Barbosa nas chapas majoritárias do partido.
Impacto da candidatura no cenário político de Lula
O efeito da eventual entrada de Barbosa na corrida eleitoral divide opiniões entre analistas políticos. Enquanto parte dos observadores acredita que sua trajetória de vida pode atrair votos de centro, outros avaliam que a candidatura teria um alcance limitado.
Segundo o comentarista José Eduardo Cardozo, a candidatura teria um caráter marginal devido às dificuldades de mobilização popular e ao baixo impacto sobre a base de eleitores de Lula, visto que os fatos relacionados ao processo do Mensalão já foram amplamente debatidos em pleitos anteriores.
Fonte: Globo