Manifestantes protestam em frente ao parlamento irlandês após morte de congolês. Manifestantes protestam em frente ao parlamento irlandês após morte de congolês.

Irlanda enfrenta protestos após morte de congolês em Dublin

Manifestações em Dublin pedem justiça após a morte de Yves Sakila, imobilizado por seguranças. O caso gera críticas à integração de imigrantes na Irlanda.

Centenas de manifestantes reuniram-se em frente ao parlamento irlandês para expressar indignação com a morte de Yves Sakila, cidadão nascido na República Democrática do Congo. O caso ocorreu após Sakila ser imobilizado em frente a uma loja de departamentos em Dublin, gerando comparações diretas com o assassinato de George Floyd, ocorrido em 2020.

Sakila foi detido por seguranças em uma das vias comerciais mais movimentadas da capital irlandesa na última sexta-feira (15), sob suspeita de furto, conforme informou a polícia local. O homem perdeu a consciência durante a abordagem e teve a morte confirmada logo em seguida.

Um vídeo que circula nas redes sociais registra o momento em que Sakila é imobilizado no solo por pelo menos cinco homens durante cerca de cinco minutos. Em determinados instantes da gravação, é possível observar dois dos homens pressionando o rosto da vítima contra o chão, enquanto um deles parece ajoelhar-se sobre a cabeça ou pescoço de Sakila.

Comparação com o caso George Floyd

“Chamamos isso de um momento George Floyd”, afirmou David Kaliba, um estudante de física de 35 anos que frequentou a escola secundária com Sakila. Para Kaliba, que também imigrou da República Democrática do Congo para a Irlanda, a semelhança entre os episódios é alarmante: “Não consigo acreditar que isso aconteceu na América em 2020 e na Irlanda em 2026”.

Kaliba recorda o colega, que atuava na área de TI antes de enfrentar a situação de rua, como uma pessoa reservada e não agressiva. A repercussão do caso mobilizou figuras políticas, incluindo Yemi Adenuga, vereadora do partido Fine Gael e porta-voz da Black Coalition Ireland. “Quando você assiste a esse vídeo, é literalmente uma reconstituição do que aconteceu com George Floyd”, declarou Adenuga.

A vereadora, primeira mulher negra eleita para um cargo político na Irlanda em 2019, criticou a gestão governamental: “é uma receita para o caos, a anarquia e a apatia”. Segundo ela, o país falhou na implementação de medidas para a integração adequada do crescente contingente de imigrantes.

Investigação oficial e tensão nas ruas

O episódio ocorre em um cenário de aumento nos protestos contra a imigração na Irlanda nos últimos anos. Em 2023, ativistas foram responsáveis por tumultos no centro de Dublin, próximos ao local onde Sakila faleceu, evidenciando a fragilidade da coesão social atual.

O primeiro-ministro Micheál Martin solicitou uma investigação completa sobre o caso, classificando a morte como um evento de grande preocupação para a sociedade. Os manifestantes em frente ao parlamento exigem transparência com gritos de “sem acobertamento, sem atrasos”.

Cartazes com pedidos de Justiça e referências à tradicional hospitalidade irlandesa marcaram o ato. A polícia confirmou que a autópsia foi finalizada, mas não divulgou os resultados, alegando necessidades operacionais na condução da investigação.

Fonte: Cnnbrasil