A operação da Polícia Federal contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), aponta que lideranças vinculadas ao governo Lula e ao ex-presidente Jair Bolsonaro atuaram pela aprovação da denominada “emenda Master”. O dispositivo propunha elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) por CPF ou CNPJ.
O FGC atua como um mecanismo de proteção para correntistas e investidores em cenários de falência de instituições financeiras. A proposta foi apresentada durante a discussão da PEC que trata da autonomia financeira e orçamentária do Banco Central, visando ampliar o modelo de negócios do Banco Master.

Articulação política e a tramitação da emenda Master
A emenda foi formalizada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil na gestão Bolsonaro, com a articulação de Jaques Wagner. Em 13 de agosto de 2024, Nogueira apresentou a sugestão com o argumento de fomentar a concorrência e evitar o monopólio de serviços pelos bancos tradicionais.
Investigações em curso no Supremo Tribunal Federal indicam que o teor da emenda teria sido redigido pela assessoria do Banco Master e entregue ao parlamentar via envelope. Conforme a Polícia Federal, Daniel Vorcaro, executivo do Banco Master, teria afirmado após a publicação que o texto “saiu exatamente como mandei”.
Em registros de mensagens interceptadas, Vorcaro manifestou entusiasmo com o avanço da medida: “Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica mercado financeiro! Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Esta todo mundo louco”, afirmou o executivo.
Contatos suspeitos e supostas vantagens indevidas
Documentos da Polícia Federal revelam que, na data da apresentação da proposta, ocorreram interações entre Guilherme Sodré, Daniel Vorcaro, o chefe de gabinete de Jaques Wagner e Augusto Lima, sócio de Vorcaro. Lima e Wagner teriam mantido contato telefônico por 9 minutos e 19 segundos, período em que o link da emenda foi enviado ao parlamentar.
Apesar da movimentação, o relator da PEC 65/23, senador Plínio Valério (PSDB-AM), recusou a inclusão da emenda. “Tenho acompanhado o noticiário envolvendo o nome do Senador Jacques Wagner, afirmando que ele teria atuado para que eu, como Relator da PEC 65/23, acatasse a emenda batizada de ‘emenda Master’. Isso não corresponde absolutamente à verdade. Em nenhum momento o senador Jaques Vagner sequer tocou nesse assunto comigo. Faço isso por uma questão de justiça”, declarou Valério.
A apuração da Polícia Federal levanta a suspeita de que Jaques Wagner teria recebido vantagens indevidas, incluindo um imóvel em Salvador e pagamentos que totalizariam R$ 3,5 milhões. O episódio reforça discussões sobre pautas-bomba no Congresso que podem elevar a dívida pública, enquanto o senador nega qualquer irregularidade em suas atividades parlamentares.
Fonte: G1