O governo brasileiro manifestou forte oposição à decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em nota oficial, o Palácio do Planalto classificou a medida como uma ação unilateral que pode comprometer a soberania nacional, prejudicar o compartilhamento de informações entre forças de segurança e afetar o sistema financeiro brasileiro, incluindo o PIX.
Definição de terrorismo ignora natureza financeira das facções
O governo Lula argumenta que, embora o Estado brasileiro trate as facções como organizações criminosas responsáveis por atos de terror em comunidades, elas não se enquadram na definição de terrorismo internacional, que exige motivações ideológicas, políticas ou religiosas. Segundo o Planalto, o objetivo das facções brasileiras é estritamente financeiro, ligado ao tráfico de drogas e armas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou estar decepcionado com o anúncio, reforçando que o combate ao crime organizado deve ser conduzido pelas instituições brasileiras. O governo também cobrou a extradição de foragidos brasileiros que estariam em território americano.
Interferência estrangeira marca articulação política entre EUA e oposição
A classificação americana ocorre após reuniões do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o presidente Donald Trump. O senador celebrou a decisão, atribuindo-a ao seu pedido direto às autoridades americanas. Em contrapartida, o governo federal acusou integrantes da família Bolsonaro de promoverem interferência estrangeira em assuntos internos.
A oposição, incluindo nomes como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), elogiou a postura dos Estados Unidos, criticando a condução da segurança pública pelo atual governo. Especialistas em política internacional, contudo, alertam que a medida pode gerar um efeito reverso, expondo aliados políticos a sanções financeiras internacionais caso sejam comprovadas conexões com as facções, além de reforçar o discurso de “entreguismo” por parte da oposição.
Senado rejeitou emenda contra facções no final de 2025
A discussão sobre a classificação de facções como terroristas não é nova no Brasil. No final de 2025, o Senado rejeitou uma emenda ao projeto de lei antifacção que equiparava essas organizações ao terrorismo. Na ocasião, o relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), justificou que a medida abriria precedentes perigosos para sanções econômicas e militares contra o país, mantendo a tipificação técnica restrita a grupos com ideologias políticas ou religiosas.
Fonte: G1