A Gemini obteve aprovação da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) dos Estados Unidos para operar sua própria câmara de compensação de derivativos regulamentada. A decisão permite que a corretora de criptoativos fortaleça sua presença em mercados de previsão e prepare o terreno para uma futura expansão no comércio de futuros perpétuos.
Com essa autorização, a empresa passa a liquidar operações internamente, eliminando a dependência de infraestruturas externas. O movimento confere maior controle sobre a escalabilidade de produtos, especialmente em instrumentos complexos como os futuros perpétuos, conhecidos no mercado como perps. Após o anúncio, as ações da companhia registraram alta de **8%**.
Cameron Winklevoss projeta mercado de ponta a ponta
“Dada a oportunidade com mercados de previsão e futuros de criptoativos, possuir e operar o mercado de ponta a ponta é poderoso”, afirmou Cameron Winklevoss, cofundador e presidente da Gemini, em entrevista exclusiva. “Isso nos permite atender ao ambiente acelerado e em constante mudança, entregando uma experiência melhor aos nossos clientes e sendo mais responsivos.”
O setor de corretoras tem buscado produtos como contratos de eventos e futuros para estabilizar receitas que, historicamente, oscilam conforme a volatilidade dos preços das criptomoedas. Winklevoss acredita no potencial de longo prazo: “Nós achamos que os mercados de previsão podem ser tão grandes quanto os mercados de capitais tradicionais um dia. Estamos fortemente focados nisso, mas pretendemos expandir nossa oferta de derivativos no espaço cripto além disso”.
Disputa judicial e desvalorização das ações
A aprovação ocorre em meio a um embate jurídico envolvendo a Procuradora-Geral de Nova York, Letitia James, que processou a Gemini e a Coinbase. A acusação alega que os produtos de previsão das empresas violam regras estaduais de jogos de azar. Em contrapartida, a CFTC processou o estado de Nova York, defendendo que tais mercados se enquadram na lei federal de derivativos.
A empresa enfrenta ainda o escrutínio de investidores após uma queda acentuada desde sua oferta pública inicial (IPO). Embora as ações tenham estreado com alta de 14%, atingindo cerca de US$ 45, o valor recuou **90%** desde então. “Como um negócio centrado em cripto, seu destino está, até certo ponto, atrelado ao mercado de criptoativos”, reconheceu Winklevoss.
Diversificação de ativos e foco em tecnologia
A estratégia de transformação da Gemini inclui o lançamento de negociações autônomas e uma mudança de foco para a inteligência artificial. O objetivo é reduzir a dependência exclusiva do mercado de criptoativos, que é altamente cíclico e dependente do sentimento dos investidores. A empresa planeja, inclusive, integrar a negociação de ações em sua plataforma.
“Isso nos levará de uma empresa puramente centrada em cripto para uma companhia mais ligada aos mercados, o que deve, em algum nível, suavizar nossa receita”, explicou o executivo. A busca por estabilidade em um cenário de queda de popularidade global de certos ativos financeiros reflete a necessidade de adaptação das plataformas. “Se uma classe de ativos estiver com desempenho inferior a outra, isso deve equilibrar e oferecer uma abordagem mais indexada”, concluiu Winklevoss.
Fonte: Cnbc