O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, aponta o conglomerado militar conhecido como GAESA como o principal responsável pela crise econômica em Cuba. Segundo o secretário, o grupo atua como um “estado dentro do estado” que concentra lucros em benefício de uma elite restrita.
“Cuba é controlada pela GAESA”, declarou Rubio em uma mensagem de vídeo direcionada à população cubana. “Um ‘estado dentro do estado’ que não presta contas a ninguém e acumula os lucros de seus negócios em benefício de uma pequena elite”, afirmou o secretário.
GAESA concentra hotéis, bancos e setores estratégicos da ilha
O Grupo de Administração Empresarial (GAESA) é um conglomerado gerido pelas Forças Armadas Revolucionárias de Cuba. Criado na década de 1990 pelo então ministro da Defesa, Raúl Castro, o grupo é considerado a entidade mais eficiente e lucrativa do país. A organização detém o controle de hotéis de luxo, portos estratégicos, bancos comerciais, supermercados e postos de gasolina.
A proeminência do grupo é ilustrada pela Torre K, um edifício de 42 andares que abriga o hotel Iberostar Selection La Habana. Concluída em 2025, a estrutura permanece ociosa em um momento de retração do turismo. A gestão do conglomerado, anteriormente chefiada por Luis Alberto Rodríguez López-Calleja, hoje está sob responsabilidade da Brigadeiro-General Ania Guillermina Lastres, que sofreu sanções dos EUA.
Rubio culpa conglomerado pela escassez enquanto Cuba menciona bloqueio
Rubio sustenta que a GAESA acumula bilhões de dólares enquanto a população enfrenta escassez de recursos básicos. “A verdadeira razão pela qual vocês não têm eletricidade, combustível ou comida é porque aqueles que controlam o país saquearam bilhões de dólares, mas nada foi usado para ajudar o povo”, disse Rubio.
Em contrapartida, o governo cubano nega as acusações de corrupção e atribui a crise ao bloqueio comercial imposto pelos Estados Unidos. A embaixada de Cuba no Reino Unido refutou estimativas que atribuem US$ 18 bilhões em ativos ao grupo, classificando os números como inflados. “Por que o engano? Inventar um tesouro secreto de US$ 18 bilhões fornece uma desculpa política conveniente para intensificar as sanções ilegais que sufocam a população cubana”, afirmou a representação diplomática.
Finanças da GAESA operam com opacidade e fora do orçamento estatal
A falta de transparência é uma marca da GAESA. As finanças do grupo não integram o orçamento oficial do governo e o sigilo é justificado por autoridades como uma estratégia de sobrevivência diante das sanções. Em 2024, a então controladora-geral Gladys Bejerano afirmou que o grupo possuía “disciplina e organização superiores” e operava fora de sua jurisdição.
Embora não existam dados públicos consolidados, estimativas externas indicam que a GAESA controla entre 40% e 70% da economia cubana. Enquanto o debate sobre o impacto das políticas econômicas e sanções continua, o conglomerado permanece como o ponto central das tensões entre Washington e Havana.

Fonte: Cnnbrasil