O lançamento da nova camisa do Athletic Bilbao para a temporada 26-27 reacendeu o debate sobre como uniformes de futebol transcendem o esporte para tocar em questões políticas, culturais e históricas. O clube basco incluiu na nuca um mapa de Euskal Herria, território cultural que abrange partes da Espanha e da França, provocando reações imediatas no cenário político espanhol.

Partidos como PP, Vox e UPN criticaram o uniforme, acusando o clube de promover uma visão política sobre a identidade basca. Enquanto a UPN ameaçou medidas judiciais, o governo de Navarra não identificou ilegalidade, reforçando o caráter privado da entidade. O caso ilustra como o futebol é frequentemente palco de tensões sobre identidade regional.
Fiorentina e a associação visual ao nazismo
Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu com a Fiorentina na temporada 92-93. O uniforme reserva, produzido pela Lotto, apresentava formas geométricas que, alinhadas, criavam um desenho semelhante à suástica. Embora a fornecedora e o clube tenham classificado o efeito como uma coincidência ótica, a repercussão negativa forçou o abandono imediato do modelo, com peças sendo recolhidas e até queimadas por torcedores.
Alemanha e Espanha enfrentam críticas por design
A Federação Alemã de futebol precisou alterar a tipografia dos números para a Eurocopa após o número 44 ser associado à sigla “SS”, ligada à tropa nazista. A Adidas, responsável pelo design, suspendeu a personalização das camisas. De forma similar, a Espanha viveu controvérsia antes da Copa de 2018, quando detalhes em azul no uniforme foram interpretados como uma referência às cores da Segunda República Espanhola.
Disputas territoriais e símbolos nacionais
Conflitos geopolíticos também impactam o vestuário esportivo. Em 2024, o RS Berkane utilizou um mapa que incluía o Saara Ocidental como parte de Marrocos, gerando uma crise diplomática com a Argélia que chegou ao Tribunal Arbitral do esporte. Já o Palestino, clube chileno, enfrentou críticas e punições por estampar o mapa da Palestina histórica em seus uniformes, um tema sensível dado o contexto do Oriente Médio.
A seleção da Ucrânia também provocou a Rússia antes da Euro 2020 ao exibir um mapa que incluía a Crimeia, anexada pelos russos em 2014. Mesmo com as reclamações das autoridades russas, a UEFA manteve a aprovação do uniforme. Até braçadeiras de capitão, como a utilizada pelo Barcelona com a bandeira da Catalunha, tornaram-se objeto de disputa regulatória perante as normas da IFAB.
Fonte: Cnnbrasil