Gráfico de variação do dólar comercial no fechamento do mercado. Gráfico de variação do dólar comercial no fechamento do mercado.

Dólar sobe a R$ 5,04 com saída de capital estrangeiro

O dólar fechou a R$ 5,0453 em um dia de saída de capital estrangeiro da bolsa brasileira. Confira a análise sobre o fluxo de investimentos e a Selic.

O dólar fechou a sexta-feira em alta, refletindo um dia negativo para os ativos brasileiros. O mercado reagiu ao fluxo de saída de investidores estrangeiros da bolsa e à cautela com o cenário econômico interno, enquanto agentes globais monitoravam as negociações entre Estados Unidos e Irã.

A moeda norte-americana à vista encerrou o dia com valorização de 0,24%, cotada a R$ 5,0453. No acumulado da semana, a divisa registrou ganho de 0,27%, enquanto em maio a alta atingiu 1,82%.

Ptax encerra em R$ 5,05 e define oscilações do pregão

Durante a primeira metade do pregão, as operações foram influenciadas pela definição da Ptax de fim de mês. Calculada pelo Banco Central, a taxa serve de referência para a liquidação de contratos futuros, levando agentes financeiros a tentarem direcionar os preços para níveis mais favoráveis às suas posições.

Em meio a essa disputa técnica, o dólar atingiu a máxima da sessão de R$ 5,0722, uma alta de 0,77%, às 11h51. Após a definição da Ptax, que ficou em R$ 5,0563 para compra e R$ 5,0569 para venda, a moeda perdeu a pressão técnica, mas manteve-se em território positivo até o encerramento.

Gestor da Ghia aponta fuga de capital para mercados asiáticos

Tadeu Arantes, head de alocação da gestora Ghia, destacou que o desempenho dos ativos domésticos destoa do cenário externo. “Quando olhamos para o cenário externo, estamos em um dia positivo para ativos norte-americanos, com os índices de ações subindo, mas mais uma vez os ativos domésticos estão sofrendo. O Ibovespa está em mais uma semana de queda e o dólar sobe”, afirmou.

Segundo o especialista, a narrativa que atraía capital para o Brasil mudou. “O fluxo de investimentos para emergentes continua, mas para países que se beneficiam mais da inteligência artificial, como Taiwan e Coreia do Sul, enquanto o Brasil acaba ficando para trás”, acrescentou Arantes. Dados mostram que, após receber R$ 42,4 bilhões entre janeiro e abril, a bolsa brasileira viu uma saída de R$ 14,1 bilhões apenas em maio, até o dia 27.

Além do fluxo, o mercado monitora a designação de facções criminosas como o PCC e o Comando Vermelho como terroristas pelos Estados Unidos. “É um fator a mais a ser considerado na hora de o estrangeiro alocar no Brasil”, avaliou Arantes sobre o possível aumento nos prêmios de risco.

PIB avança 1,1% e gera incertezas sobre juros Selic

A agenda econômica trouxe o avanço de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2026, superando a projeção de 1,0% dos economistas. O resultado, embora positivo, reforçou preocupações inflacionárias e colocou em dúvida a continuidade do ciclo de cortes da taxa Selic, atualmente em 14,50% ao ano.

No exterior, a atenção recaiu sobre o Oriente Médio. O presidente Donald Trump afirmou que tomaria uma decisão final sobre um acordo entre EUA e Irã, enquanto fontes iranianas indicaram que um entendimento político ainda não foi concluído. O índice do dólar, que mede a moeda frente a uma cesta de divisas, operava com leve queda de 0,06%, a 98,932, no fim da tarde.

Fonte: Infomoney