Bandeiras da China e dos Estados Unidos em uma rua chinesa. Bandeiras da China e dos Estados Unidos em uma rua chinesa.

China rejeita acusações de trabalho forçado e critica tarifas

A China rejeita acusações de trabalho forçado e critica a imposição de tarifas de 12,5% propostas pelos Estados Unidos contra 60 economias globais.

A China afirmou nesta quarta-feira (3) que se opõe a tarifas unilaterais e negou veementemente acusações de uso de trabalho forçado. A postura surge após os Estados Unidos proporem novas taxas sobre importações vindas de cerca de 60 economias, justificando a medida como parte de uma estratégia de endurecimento comercial baseada em critérios de direitos trabalhistas e práticas de cadeia de suprimentos.

Uma investigação dos Estados Unidos concluiu, na terça-feira (2), que países como China e Brasil falharam em fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com mão de obra forçada. Como represália, o governo americano propôs a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos provenientes dessas nações.

Em resposta oficial, o governo chinês rechaçou as alegações e afirmou que não existe sustentação para as acusações levantadas por Washington. “Não existe o chamado trabalho forçado na China, e nos opomos ao uso disso como desculpa para manipulação política”, declarou Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, durante coletiva de imprensa.

Mercados asiáticos operam com volatilidade sob tensão comercial

Os mercados na Ásia apresentaram reações mistas diante do aumento da tensão no comércio internacional. Em Hong Kong, o índice Hang Seng registrou queda de 1,6%. Já as bolsas da China continental encerraram o pregão com alta, com o CSI300 avançando 0,5% e o Xangai subindo 0,2%, impulsionados principalmente pelo setor de semicondutores e pela demanda por inteligência artificial.

Apesar do cenário de incertezas, indicadores econômicos mostraram que o setor de serviços chinês cresceu no ritmo mais forte dos últimos três meses em maio, sustentado por novos negócios e aquecimento na demanda externa. Analistas do Goldman Sachs mantiveram uma visão otimista sobre ações chinesas A-share, mencionando a melhoria nas perspectivas de crescimento e a exposição ao setor de tecnologia.

Estados Unidos detalham investigação sobre trabalho forçado

A investigação conduzida pelos EUA utilizou como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O Brasil foi incluído no grupo que poderá sofrer a sobretaxa de 12,5%, ao lado de potências como Índia, Japão, Reino Unido e Coreia do Sul. Segundo o relatório americano, esses países carecem de mecanismos eficazes para barrar mercadorias oriundas de trabalho forçado.

Washington argumenta que tal deficiência gera concorrência desleal para trabalhadores americanos. A proposta ainda aguarda trâmites, com prazo até 6 de julho para contribuições públicas e audiências agendadas para 7 de julho. Enquanto isso, o governo brasileiro avalia alternativas frente à pressão comercial, no momento em que Lula critica novas tarifas dos EUA e defende busca por novos parceiros comerciais.

Alemanha, França e México reagem à medida americana

O governo alemão afirmou que a decisão americana não se aplica ao país, mantendo o acordo vigente entre a União Europeia e os EUA. “Saudamos o acordo político alcançado no trílogo sobre a implementação do acordo pela UE e apoiamos a rápida entrada em vigor dos regulamentos relevantes da UE como uma contribuição para a estabilização das relações comerciais transatlânticas”, pontuou o ministério da economia alemão.

Na França, o ministro do comércio, Nicolas Forissier, reforçou que a tarifa proposta por Donald Trump não atinge o país. “Se entendi corretamente, refere-se a investigações ligadas a potenciais suspeitas de trabalho forçado. Como sabe, este não é o caso da França ou da União Europeia, que sempre esteve na vanguarda desta questão. Portanto, não me sinto, e nós não nos sentimos, preocupados”, afirmou à Reuters.

Enquanto a Comissão Europeia classificou as tarifas como injustificadas, o Ministério da Economia do México garantiu que o comércio sob o acordo USMCA estará isento da cobrança. O governo mexicano ressaltou que a proposta também exclui itens como automóveis, aço e alumínio.

Bandeiras da China e dos Estados Unidos em rua chinesa
Bandeiras da China e dos Estados Unidos em uma rua chinesa, em 13 de maio de 2026.

Fonte: G1