O que você precisa saber
- A Hard Rock International rescindiu o contrato de uso de sua marca com a Residence Club por descumprimento de prazos.
- A rede americana planejava oito hotéis, que somariam um valor de R$ 8 bilhões, mas apenas três projetos continuam em andamento.
- Cerca de 20 mil clientes que compraram cotas de multipropriedade buscam rescisões judiciais por falta de entrega dos imóveis.
O plano de expansão da marca Hard Rock no Brasil, lançado originalmente em 2017, enfrenta uma crise operacional profunda. A matriz americana optou por encerrar a parceria local após sucessivos descumprimentos de cronogramas, uma vez que as operações deveriam ter sido iniciadas ainda em 2020.
Impacto em investidores e fundos
Desvalorização de ativos e questionamentos judiciais
O projeto, que alcançou mais de R$ 1 bilhão em vendas de frações imobiliárias, acumula prejuízos para os investidores. O fundo Urca Prime Renda FII, exposto aos papéis do empreendimento, registrou uma queda de **13% na sua cota nos últimos 12 meses**, sendo negociada agora em torno de R$ 34. O número de investidores no fundo encolheu de 90 mil para 63 mil.
A estrutura de captação de recursos incluiu a emissão de debêntures e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) que contaram com a participação de institutos de previdência municipal. O caso chegou a ser monitorado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal sob sigilo, devido a denúncias de irregularidades financeiras.
Mudança de gestão e futuro das obras
Busca por novas bandeiras hoteleiras
Sem a marca americana, a Residence Club negocia a conclusão do hotel na Ilha do Sol, no Paraná, com a operadora Wyndham. O projeto, com 509 unidades, teve o prazo de entrega adiado para o final de 2026. A Wyndham reforçou que sua responsabilidade está restrita à operação hoteleira, sem vínculo com passivos ou dívidas anteriores.
Em Fortaleza, a paralisação das obras é mais severa, com o Ministério Público do Ceará proibindo a venda de novas cotas aos consumidores. A gestora dos fundos, Urca, declarou que o foco atual é a recuperação de crédito e que não assume responsabilidade sobre a gestão direta dos empreendimentos.
Fonte: Estadão