Fachada de prédio comercial em Goiânia onde o escritório está registrado. Fachada de prédio comercial em Goiânia onde o escritório está registrado.

J&F e JBS pagam R$ 11 milhões a advogada com faturamento baixo

J&F e JBS transferiram R$ 11,5 milhões para escritório de advocacia com faturamento de R$ 9 mil. Movimentação é investigada pelo Coaf por risco de lavagem.

O que você precisa saber

  • A J&F e aJBSrepassaram R$ 11,5 milhões em dezembro de 2023 para um escritório de advocacia localizado em Goiânia.
  • O escritório de Maísa de Maio Marciano possuía um faturamento mensal declarado de apenas R$ 9 mil antes das operações.
  • O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) classificou a movimentação como de alto risco para crimes de lavagem de dinheiro.

Movimentações financeiras sob suspeita

Relatórios do Coaf indicam que os repasses foram realizados em um intervalo curto de tempo. A JBS transferiu R$ 8 milhões no dia 15 de dezembro de 2023, enquanto a J&F efetuou o pagamento de R$ 3,5 milhões em 18 de dezembro.

O órgão de controle ressalta que não foram apresentados documentos capazes de justificar o lastro financeiro para transações dessa magnitude. Na mesma data do segundo repasse, a advogada transferiu R$ 3,5 milhões para o empresário Paulo Humberto Barbosa.

Conexão com resort e ministro do STF

Barbosa é o dono da PHB Holding. Em 2025, o empresário adquiriu a participação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no resort Tayayá, situado no Paraná.

Ligações com o BK Bank

Além da transferência para Barbosa, o escritório de Maísa Marciano enviou R$ 6,9 milhões para o BK Bank em 15 de dezembro de 2023. A fintech foi um dos alvos da Operação Carbono Oculto, realizada em agosto de 2025.

Investigação de movimentações bilionárias

A operação investiga a suspeita de que a instituição tenha movimentado R$ 17,7 bilhões em operações ligadas ao crime organizado. Em nota, o BK Bank alegou atuar apenas no processamento de transações e afirmou seguir as normas regulatórias contra lavagem de dinheiro, negando o envio de recursos próprios à advogada.

Posicionamento das empresas envolvidas

A J&F e a JBS informaram, por meio de nota, que os valores correspondem a serviços jurídicos prestados, com devida emissão de notas fiscais e recolhimento de impostos. As companhias não forneceram detalhes sobre a natureza dos serviços nem sobre o destino final dos valores.

Ausência de comentários

A advogada Maísa de Maio Marciano não se manifestou sobre o caso. Da mesma forma, o empresário Paulo Humberto Barbosa não respondeu aos questionamentos sobre a origem e o propósito dos pagamentos recebidos.

Fonte: Estadão