O conflito no Oriente Médio desencadeou o segundo aumento expressivo nos preços dos fertilizantes em quatro anos. Diferente de crises anteriores, a atual conjuntura de preços baixos para grãos impede que agricultores absorvam o custo, colocando em risco a produção global de alimentos.
O que você precisa saber
- O Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio de fertilizantes, enfrenta paralisação de tráfego devido à guerra.
- A ureia, fertilizante à base de nitrogênio, registrou a maior alta de preços após a interrupção de fluxos no Golfo Pérsico.
- Produtores rurais, sem margem de lucro, avaliam reduzir o uso de insumos, o que pode comprometer a produtividade das próximas safras.
Impacto na cadeia de suprimentos
O Oriente Médio atua como um centro estratégico na produção de insumos agrícolas. A interrupção nas operações da maior unidade de produção de ureia do mundo, localizada no Catar, afetou diretamente a disponibilidade global do produto.
Além da ureia, os fluxos de enxofre e amônia também sofrem restrições severas. Especialistas, como Shawn Arita, do Agricultural Risk Policy Center da North Dakota State University, classificam o cenário atual como uma crise de abastecimento muito mais acentuada do que a observada durante o conflito na Ucrânia em 2022.
Dificuldade de absorção de custos
Em 2022, os preços elevados das commodities permitiram que o setor agrícola compensasse o encarecimento dos insumos. Atualmente, o cenário é distinto: os preços do trigo em Chicago estão cerca de **50% menores** do que há quatro anos, enquanto a soja também apresenta desvalorização significativa.
A Índia, um dos maiores produtores mundiais de arroz e trigo, chegou a reservar volumes recordes de ureia pagando o dobro do valor praticado há dois meses. Contudo, para a maioria dos produtores, o patamar atual de preços torna a compra inviável.
Riscos para a produtividade agrícola
A aplicação de fertilizantes nitrogenados é essencial para garantir a produtividade anual e a qualidade das culturas, como o teor de proteína no trigo. A redução no uso desses insumos impacta diretamente o rendimento final das colheitas.
Embora produtores possam reduzir temporariamente o uso de fosfato e potássio sem perdas imediatas, essa estratégia encontra limites. Restrições de exportação impostas pela China, somadas à escassez de matérias-primas, criam um aperto prolongado no mercado.
Segundo Andy Jung, do grupo Mosaic, a tendência é que muitos produtores optem por reduzir as aplicações de fertilizantes, assumindo riscos elevados para a produtividade das safras futuras.
Fonte: Moneytimes