Teste de estresse do Federal Reserve aponta resiliência dos bancos

O Federal Reserve confirmou a resiliência dos 32 maiores bancos dos Estados Unidos em teste de estresse, capaz de absorver US$ 708 bilhões em perdas.

O Federal Reserve (Fed) divulgou nesta quarta-feira (24) os resultados do seu teste de estresse anual, confirmando que as 32 maiores instituições financeiras dos Estados Unidos possuem solidez suficiente para enfrentar um cenário de recessão global severa. Segundo a autoridade monetária, os bancos seriam capazes de absorver mais de US$ 708 bilhões em perdas totais sem comprometer a continuidade da oferta de crédito a famílias e empresas.

Simulação aponta absorção de perdas em cenário de desemprego de 10%

O exercício simulou condições econômicas adversas, incluindo uma taxa de desemprego atingindo o pico de 10%, uma queda de 39% nos preços de imóveis comerciais e uma retração de 30% no mercado imobiliário residencial. Mesmo sob essas pressões, todas as instituições avaliadas mantiveram seus índices de capital acima dos requisitos mínimos exigidos pelo regulador.

O índice de capital principal, conhecido como common equity tier 1, do setor apresentou uma redução agregada de 1,6 ponto percentual durante a simulação. As perdas projetadas concentram-se em três áreas principais:

  • Cartões de crédito: US$ 200 bilhões;
  • Empréstimos comerciais e industriais: US$ 160 bilhões;
  • Imóveis comerciais: US$ 75 bilhões.

Michelle W. Bowman mantém exigências de capital inalteradas até 2027

A vice-presidente de supervisão do Federal Reserve, Michelle W. Bowman, destacou que os resultados reforçam a robustez do sistema bancário. No entanto, o exercício deste ano ocorre em um contexto de transição regulatória. Diferente de anos anteriores, os resultados não impactarão diretamente as exigências de capital das instituições.

O Fed anunciou anteriormente que os atuais requisitos de capital permanecerão inalterados até 2027, enquanto o órgão revisa sua metodologia de cálculo e incorpora o feedback do setor. Analistas observam que, diante dessa pausa nas mudanças de exigências, o foco das instituições financeiras tem se voltado para a proposta do “Basel III Endgame”, prevista para ser detalhada ainda este ano.

Fonte: Cnbc