O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se nesta terça-feira (16), durante a cúpula do G7 em Évian, na França, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa. O encontro teve como foco central as recentes restrições impostas pelo bloco europeu a produtos brasileiros, especificamente a carne e o aço.
Criação de canal diplomático para resolver impasses técnicos
Como resultado da reunião, foi definido um mecanismo bilateral entre o Itamaraty e funcionários da Comissão Europeia. O objetivo do canal é identificar dificuldades técnicas e buscar soluções que conciliem as exigências sanitárias e fitossanitárias da União Europeia com os interesses exportadores do Brasil, respeitando os termos do acordo Mercosul-União Europeia.
Embora o governo brasileiro tenha classificado o diálogo como um avanço, fontes oficiais indicam que o mecanismo não é uma estrutura institucionalizada, mas sim um canal de consultas diplomáticas em nível de assessores. Autoridades europeias sinalizaram que a reversão imediata das medidas é complexa.
Veto à carne e novas tarifas sobre o aço brasileiro
O veto à carne brasileira, que abrange bovinos, aves, equídeos, peixes, mel e tripas, está programado para entrar em vigor em 3 de setembro. A decisão da União Europeia baseia-se na alegação de que o brasil não oferece garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária. Em maio, o país foi excluído da lista de nações aptas a exportar esses itens para o bloco.
No setor siderúrgico, a União Europeia anunciou a redução das cotas de importação isentas de tarifas e o aumento de taxas sobre o volume excedente, medidas que entram em vigor em 1º de julho. O bloco justifica a ação como uma proteção à sua indústria contra a sobrecapacidade global.
Agenda bilateral do Brasil na cúpula do G7
Além das discussões com a União Europeia, o presidente Lula manteve uma agenda bilateral com a primeira-ministra do Japão, Takaichi Sanae, para tratar do fortalecimento de laços econômicos e do Acordo de Parceria Econômica entre o Mercosul e o país asiático. Durante o evento, o Brasil também se posicionou sobre documentos do G7, endossando a declaração sobre o combate ao câncer, mas optando por não assinar outros textos devido a divergências sobre temas como clima e a liderança de organismos internacionais.
Fonte: G1