O governo brasileiro planeja encerrar as medidas de subsídio aos preços de combustíveis, como diesel e gasolina, caso a cotação do petróleo se estabilize em torno de US$ 80 o barril. A sinalização foi feita pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, diante do cenário de um possível acordo de paz entre Estados Unidos e Irã para o encerramento do conflito no Oriente Médio.
Estabilização do petróleo reduz pressão sobre a inflação
Segundo Ceron, a pacificação da região tende a reduzir a pressão sobre os juros futuros e melhorar as projeções de inflação, o que permitiria ao Banco Central maior flexibilidade na política monetária. O secretário ressaltou que os próximos 30 dias serão cruciais para observar a consolidação desse cenário, marcado pela cautela após a volatilidade recente nos preços do petróleo, câmbio e juros.
O governo adotou medidas emergenciais de redução de impostos e subvenções desde o início da guerra, em fevereiro. A maioria dessas iniciativas possui validade até julho, prazo que o Ministério da Fazenda considera adequado para avaliar a necessidade de manutenção ou extinção dos benefícios.
Fazenda contesta impacto inflacionário de estímulos fiscais
O secretário refutou que as medidas de estímulo implementadas pelo governo tenham sido o fator determinante para o estresse inflacionário recente, atribuindo a pressão principalmente aos efeitos da guerra. Ceron também minimizou as estimativas de mercado sobre o impacto fiscal dos estímulos, classificando como exageradas as projeções de um impulso de 2% do PIB.
Sobre a situação fiscal do país, Ceron reconheceu a necessidade de discutir o crescimento das despesas obrigatórias, mas ponderou que não há espaço para novas medidas restritivas às vésperas de um período eleitoral. O secretário destacou ainda que o Brasil deve realizar uma nova emissão de títulos sustentáveis no segundo semestre e estuda a emissão de títulos em iuanes, os chamados “panda bonds”, durante a visita do ministro da Fazenda, Dario Durigan, à China.
Fonte: G1