A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro enviou esclarecimentos ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a apreensão de uma pistola Glock 9mm registrada em nome do político. O armamento foi recolhido pela Polícia Militar do Distrito Federal durante uma blitz na madrugada da última segunda-feira (15), em Taguatinga.
Manutenção de armamento e retirada do percussor
Segundo os advogados, Bolsonaro notou uma falha no funcionamento da arma ao manusear o ferrolho e solicitou que um militar de sua equipe de segurança, o segundo-sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho, a levasse para manutenção. A defesa enfatizou que o objetivo era apenas identificar o defeito e realizar o reparo necessário.
Os representantes legais do ex-presidente também informaram que a própria equipe de segurança havia retirado o percussor da arma — peça essencial para o disparo — sem o conhecimento prévio de Bolsonaro. A medida foi adotada por precaução, devido ao uso de medicamentos psiquiátricos pelo ex-presidente, que poderiam afetar sua cognição.
Abordagem policial e regime domiciliar
A arma foi encontrada no veículo conduzido pelo sargento Estácio Leite da Silva Filho, que atua na segurança pessoal de Bolsonaro. O militar, que prestou depoimento e foi liberado, afirmou às autoridades que transportava o objeto para o conserto. A Polícia Civil do Distrito Federal abriu um inquérito para investigar o caso, uma vez que o Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf) não estava presente no momento da abordagem.
A defesa de Bolsonaro sustenta que não há irregularidade na posse do armamento, argumentando que não houve determinação judicial para a entrega de armas ou cancelamento de registros após a condenação do ex-presidente. Atualmente, Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão, estando em regime domiciliar humanitário desde março de 2026 para tratamento de saúde.
Esclarecimentos sobre subordinação dos agentes
O Gabinete de segurança Institucional (GSI) esclareceu que não realiza a segurança de ex-presidentes e que os servidores à disposição de Bolsonaro são de sua livre indicação, sem subordinação operacional ao órgão. Por sua vez, a Polícia Militar do DF confirmou que o condutor foi encaminhado à delegacia após a constatação de que a arma não possuía documentação imediata e que o militar declarou que o item pertencia a um terceiro.
Fonte: UOL