Líderes mundiais reunidos na cúpula do G7. Líderes mundiais reunidos na cúpula do G7.

Cúpula do G7 foca em guerras no Oriente Médio e na Ucrânia

Cúpula do G7 em junho aborda guerras na Ucrânia e no Irã, enquanto França busca unidade frente à postura dos Estados Unidos sobre conflitos globais.

As guerras no Oriente Médio e na Ucrânia devem dominar a pauta da cúpula do G7 na próxima semana. A França, país anfitrião, elabora uma agenda com o objetivo de projetar unidade entre as nações e evitar confrontos diretos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O encontro, que ocorre de 15 a 17 de junho em Évian-les-Bains, às margens do Lago de Genebra, reúne líderes da França, Reino Unido, Canadá, Alemanha, Itália, Japão e Estados Unidos, além da União Europeia.

Gerenciamento de crises define o foco do encontro em Évian-les-Bains

Com Trump focado em encerrar conflitos que desestabilizaram a economia global e frustrado com aliados europeus que, em sua visão, falharam no Golfo e dependem excessivamente dos EUA para segurança, diplomatas indicam que o gerenciamento de crises será o foco central. Não se esperam decisões inovadoras sobre temas como o combate aos desequilíbrios econômicos globais ou a obtenção de minerais críticos fora da China.

A coesão do grupo, fundado há meio século, desgastou-se desde o retorno de Trump à Casa Branca em 2025. Autoridades francesas estabeleceram metas modestas para o evento, sugerindo que o sucesso será medido pela permanência do presidente americano durante toda a cúpula, visto que ele deixou o encontro antecipadamente na edição de 2025, no Canadá.

Sylvie Matelly, diretora do Instituto Jacques Delors, afirmou que os líderes europeus aprenderam a lidar com a imprevisibilidade de Trump, mas a situação no Irã e a possibilidade de ele conseguir um acordo de cessar-fogo podem muito bem ditar seu humor.

Negociações com Irã enfrentam impasse sobre Estreito de Ormuz

O frágil cessar-fogo entre os EUA e o Irã está sob tensão. Garantir um acordo provisório que adie a resolução de questões complexas, como o programa nuclear iraniano, mostra-se árduo. Trump exige que o Irã reabra o Estreito de Ormuz, enquanto Teerã demanda o fim do bloqueio aos seus portos, a liberação de ativos congelados e o cessar-fogo de Israel contra o Hezbollah no Líbano. O Irã enfrenta resistência interna contra possível acordo com EUA, complicando o cenário.

Um diplomata de alto escalão do G7 afirmou que um acordo de cessar-fogo com o Irã poderia permitir que o grupo deixasse para trás meses de tensão com os Estados Unidos. A França convidou Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar e Egito para a cúpula, buscando ampliar os esforços de mediação.

“É muito importante, e trata-se precisamente de encontrar formas e meios de cooperação”, disse Emmanuel Macron, presidente da França.

Zelensky pressiona por maior protagonismo europeu no conflito ucraniano

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, também foi convidado para o evento. Embora as negociações para encerrar a guerra da Rússia na Ucrânia estejam estagnadas, Zelensky busca um novo impulso e pressiona para que a Europa desempenhe um papel maior. O líder ucraniano teme que o conflito no Irã tenha desviado a atenção dos EUA.

Enquanto isso, a dinâmica no campo de batalha mudou, com drones ucranianos atacando mais profundamente em território russo para cortar linhas de suprimento e prejudicar a infraestrutura energética. Diplomatas europeus veem a cúpula como uma oportunidade para convencer Trump de que as propostas americanas para um acordo têm sido muito favoráveis a Moscou.

As nações europeias sinalizam disposição para dialogar com Moscou, ao mesmo tempo que intensificam sanções e aumentam o apoio militar à Ucrânia, enfatizando que a Rússia bloqueia o progresso. “Acredito que nosso dever é não ceder quando se trata de nossas convicções mais profundas, defendê-las”, disse Macron.

Paris tem usado sua presidência para pressionar por ações em relação aos desequilíbrios macroeconômicos globais, uma preocupação antiga dos EUA. A França enquadrou a questão como uma responsabilidade compartilhada, visto que a China produz em excesso, os Estados Unidos consomem em excesso e a Europa investe pouco.

Fonte: Cnnbrasil