O que você precisa saber
- O saldo do crédito consignado para trabalhadores do setor privado atingiu **R$ 101,6 bilhões** em março.
- O volume representa uma alta expressiva de **142,4%** em 12 meses, impulsionado pelo programa Crédito do Trabalhador.
- Novas regras de teto de juros começam a moldar a oferta de crédito nas grandes instituições financeiras.
Crescimento e inadimplência no setor
Volume de concessões bate recorde mensal
O saldo de R$ 101,6 bilhões registrado pelo Banco Central confirma a rápida expansão da modalidade desde o lançamento do programa Crédito do Trabalhador, em março de 2025. Naquele momento, o saldo era de apenas R$ 41 bilhões, evidenciando o ritmo acelerado de adesão ao produto.
Em março deste ano, as concessões atingiram **R$ 10,9 bilhões**, um salto de 52% em comparação a fevereiro. O Banco Central justifica que a maior quantidade de dias úteis no mês foi um fator decisivo para esse aumento na demanda por empréstimos.
Alta no índice de calotes
Apesar do volume recorde, a inadimplência acendeu um sinal de alerta entre os reguladores. O índice subiu de 4,9% em novembro de 2025 para **6,6% em março deste ano**, um avanço considerado significativo pelas autoridades monetárias.
Impactos do novo teto de juros
Análise do mercado sobre os limites
O setor financeiro analisa a implementação de um novo teto flutuante para as taxas do consignado privado. De acordo com o UBS BB, a medida é vista como levemente positiva para bancos como Santander, Bradesco, Itaú, Banco do Brasil e Caixa, que já operam com taxas abaixo da média do mercado.
Desafios para o acesso ao crédito
A nova norma estabelece que o custo total não pode exceder em mais de 100 pontos-base a taxa média mensal, com cálculo trimestral. Analistas alertam que o limite pode restringir o acesso ao crédito para perfis de maior risco, que naturalmente demandam taxas superiores para compensar a probabilidade de não pagamento.
Mesmo sob nova regulação, o consignado privado permanece como um ativo estratégico para os bancos. O produto continua oferecendo taxas muito inferiores às do crédito pessoal comum, que atingiu média de **117,1% ao ano** em março.
Fonte: Globo