Ministro Edson Fachin, presidente do STF, durante sessão na Corte. Ministro Edson Fachin, presidente do STF, durante sessão na Corte.

Fachin cria grupo para revisar penduricalhos de magistrados

O ministro Edson Fachin cria grupo de trabalho para revisar penduricalhos de magistrados e padronizar pagamentos no Judiciário em até seis meses.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça, ministro Edson Fachin, determinou a criação de um grupo de trabalho para realizar um pente-fino nos pagamentos extras destinados a magistrados, populares como penduricalhos. A comissão terá o prazo de até seis meses para elaborar uma proposta que vise a padronização, transparência e previsibilidade das parcelas remuneratórias em todo o Poder Judiciário.

A formalização do grupo deve ocorrer no início da próxima semana. O objetivo central é mapear detalhadamente os valores pagos, incluindo verbas remuneratórias e indenizatórias, classificando-as por natureza jurídica, fundamento normativo e impacto direto no teto constitucional.

A iniciativa busca, segundo o ministro, “acabar com distorções nos salários de juízes e estabelecer critérios mais rígidos aos pagamentos, com a devida previsão e fundamentação legal”. Esta medida amplia a fiscalização sobre os vencimentos, complementando a decisão recente do STF que limitou o pagamento de verbas extras de caráter indenizatório.

Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal, durante abertura do ano na Corte
Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal, durante abertura do ano na Corte.

Limitação de verbas a 70% do teto de R$ 46,3 mil

Em março, o tribunal estabeleceu que esses adicionais não podem ultrapassar 70% do salário, respeitando o limite do teto do funcionalismo público, atualmente fixado em R$ 46,3 mil. Em maio, o Conselho Nacional de Justiça avançou na pauta ao instituir o contracheque único para todos os juízes, centralizando o registro de salários e benefícios.

Fachin aponta desigualdades e uso de subterfúgios remuneratórios

O grupo de trabalho também terá a missão de debater propostas legislativas sobre a remuneração da magistratura, contando com o apoio de especialistas. O objetivo é encontrar uma “solução de longo prazo para a questão e que gere uma disciplina remuneratória”.

Para Fachin, o tema é de extrema importância e exige um debate profundo sobre os fatores que levaram ao cenário atual de desigualdades. O ministro aponta que a ausência de uma revisão geral anual uniforme e a dispersão de decisões entre os mais de 90 tribunais do país geraram realidades distintas.

Segundo Fachin, isso provocou “desigualdades, insegurança jurídica, falta de publicidade e, o mais grave, utilização de subterfúgios conceituais dissociados da realidade. Em outras palavras, utilização de verbas indenizatórias com efeitos de verbas remuneratórias objetivando superar a defasagem do teto remuneratório”.

Composição plural inclui Senado e Tribunal de Contas da União

Além disso, o presidente do STF destacou que, “na esteira da má solução, o reconhecimento de passivos funcionais nem sempre estão devidamente amparados na adequada interpretação das normas previstas no ordenamento jurídico”. A composição do grupo será plural, incluindo juízes auxiliares, representantes de entidades da magistratura e membros externos.

Participam da estrutura integrantes do Conselho Nacional do Ministério Público, Defensoria Pública, Advocacia Pública da União, Senado, Câmara dos Deputados e Tribunal de Contas da União.

Fonte: G1