O acesso à casa própria tornou-se um desafio estrutural na Espanha, refletindo uma mudança profunda no modelo de sociedade. Dados do Ministério do Consumo indicam que, entre 2008 e 2022, a parcela de famílias que residem em imóveis próprios caiu de 79% para **63,9%**. Em contrapartida, o número de lares em regime de aluguel subiu de 11,9% para 19,2% no mesmo período.
O que você precisa saber
- A taxa de proprietários caiu 15 pontos percentuais em 14 anos, atingindo 63,9% do total.
- O mercado imobiliário espanhol vive um processo de polarização, onde a moradia deixa de ser um bem de necessidade básica para se tornar um ativo deinvestimento.
- A multipropriedade tornou-se a norma, com mais da metade dos proprietários detendo dois ou mais imóveis.
A ascensão da multipropriedade
A estrutura de posse de imóveis sofreu uma inversão significativa. Em 2008, a maioria dos proprietários possuía apenas um imóvel (53,9%). Em 2025, esse cenário mudou: **51,7% dos proprietários** detêm dois ou mais imóveis, consolidando a multipropriedade como a pauta dominante no país. O fenômeno é ainda mais acentuado entre grandes detentores, com o número de imóveis nas mãos de quem possui mais de dez unidades quadruplicando na última década.
Impactos na desigualdade social
O estudo aponta que o sistema residencial tornou-se mais desigual, onde ter emprego e salário não garante mais o acesso à propriedade. Enquanto os lares sem nenhuma propriedade aumentaram 63%, aqueles com duas ou mais cresceram 54%. Esse movimento de concentração patrimonial afeta o bem-estar social, transformando a moradia em uma fonte persistente de desigualdade, similar aos desafios enfrentados por quem lida com hipotecas com IRPH que impactam famílias europeias.

Fonte: Elpais