Pela sétima semana consecutiva, os economistas consultados pelo Banco Central elevaram as projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (27), a mediana das estimativas subiu de 4,80% para 4,86%, mantendo o indicador acima do teto da meta estabelecida pela autoridade monetária.
O que você precisa saber
- Ainflaçãoprojetada para 2026 atingiu 4,86%, superando o teto da meta oficial.
- A desancoragem das expectativas limita o espaço para cortes na taxaselic.
- O desvio padrão das estimativas subiu para 0,35, indicando maior incerteza nomercado.
Impacto na política monetária
Persistência das pressões inflacionárias
O movimento de alta nas projeções não se restringe a 2026, estendendo-se também para 2027 e 2028. Antes do início das tensões no Oriente Médio, a mediana das expectativas situava-se em 3,91%, o que representa uma diferença de 0,95 ponto percentual em relação ao patamar atual.
Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime, avalia que o cenário impõe restrições severas ao Banco Central. “Essa piora das projeções, mesmo com um câmbio mais benigno, indica uma desancoragem adicional no médio e longo prazo”, afirma a especialista. Segundo ela, a inflação mais alta e menos previsível estreita o espaço para reduções mais agressivas nos juros.
Aumento da incerteza entre economistas
Cenário atípico para o mercado financeiro
Além da elevação das taxas, o Boletim Focus aponta um crescimento na dispersão das estimativas. O desvio padrão das projeções para o IPCA de 2026 aproximou-se de 0,35, sinalizando que o mercado está menos confiante sobre a trajetória futura dos preços. Para Kawauti, essa incerteza torna a condução da política monetária um desafio ainda maior.
Apesar da deterioração das expectativas inflacionárias, as apostas para a Selic permanecem estáveis, com a expectativa de que os juros encerrem 2026 em 13% ao ano. O cenário é considerado atípico, visto que a projeção para o dólar ao final de 2026 recuou para R$ 5,25, o que deveria, teoricamente, atuar como um fator de alívio para a inflação.
Fonte: Moneytimes