O governo brasileiro estima que a carga tarifária sobre produtos nacionais exportados para os Estados Unidos pode alcançar 37,5%, caso as novas medidas propostas pelo governo norte-americano sejam implementadas. O cálculo, realizado pelo Itamaraty em conjunto com os ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, considera a soma de duas investigações conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
Taxação combina tarifa de 25% com sobretaxa de 12,5%
A primeira medida prevê uma tarifa de 25% sob a alegação de que o Brasil adota práticas que restringem o comércio bilateral. A segunda linha de cobrança, de 12,5%, decorre de uma investigação que aponta falhas no combate ao trabalho forçado em 60 países, incluindo o Brasil. O governo americano afirma que as restrições envolvem preocupações adicionais com o sistema Pix, a proteção à propriedade intelectual e as políticas brasileiras de desmatamento.
Lula defende soberania e mantém diálogo com Washington
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a postura dos Estados Unidos, afirmando que o Brasil não pode aceitar o tratamento recebido. Em reunião ministerial, o mandatário defendeu a soberania nacional e sinalizou a possibilidade de buscar novos parceiros comerciais caso as negociações não avancem. Apesar da tensão, o governo mantém canais de diálogo abertos, com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conduzindo conversas com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
Flávio Bolsonaro envia carta para suspender tarifas
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, manifestou-se sobre o tema durante evento em Minas Gerais. O parlamentar afirmou ter enviado uma carta ao governo americano solicitando a suspensão das tarifas. Ele atribui a crise comercial à atual condução da política externa e à aproximação diplomática do Brasil com a China.
Fonte: G1