EUA classificam PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas em contexto de Política Econômica EUA classificam PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas em contexto de Política Econômica

EUA classificam PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas

Governo dos EUA classifica PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas, impondo bloqueio de bens e sanções financeiras internacionais ao Brasil.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou, nesta quinta-feira (28), a classificação das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como “Terroristas Globais Especialmente Designados” e “Organizações Terroristas Estrangeiras”. A medida foi consolidada após articulações que incluíram uma reunião entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

Congelamento de ativos e sanções financeiras nos EUA

A nova designação impõe um cerco financeiro e jurídico rígido contra os grupos. Como “Terroristas Globais Especialmente Designados”, todos os bens e interesses das facções sob jurisdição dos EUA ficam imediatamente bloqueados. A classificação como “Organizações Terroristas Estrangeiras” torna ilegal fornecer qualquer tipo de apoio material ou recursos às facções, sob pena de severas sanções civis e criminais.

As restrições determinadas pelo governo norte-americano abrangem:

  • Congelamento de ativos financeiros em jurisdições conectadas ao sistema internacional
  • Proibição estrita de transações econômicas e doações
  • Vedação de entrada de membros ou representantes nosEUA, com possibilidade de deportação
  • Obrigação de que instituições financeiras relatem fundos ligados aos grupos ao Departamento do Tesouro

Gleisi Hoffmann critica possível interferência externa

A decisão gerou forte desconforto no Palácio do Planalto. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que o governo brasileiro é terminantemente contra a equiparação feita pelos americanos. O argumento oficial é que o terrorismo, pela legislação internacional, possui fins políticos e ideológicos, o que poderia servir de justificativa para intervenções externas no território brasileiro.

Especialistas observam que a divergência ocorre pois a definição brasileira de terrorismo exige motivações políticas, ideológicas ou religiosas. Em contrapartida, a legislação dos EUA é mais ampla, permitindo que o Poder Executivo classifique grupos baseando-se em ameaças à segurança nacional e ao tráfico de drogas. O desafio para o Brasil reside em tratar o tema como crime organizado transnacional, sem abrir margem para que a classificação estrangeira amplie a influência de outros países na gestão da segurança pública nacional.

Fonte: UOL