Presidente Lula durante entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil. Presidente Lula durante entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil.

Lula inicia radioterapia após remoção de carcinoma basocelular

Lula inicia radioterapia superficial após remoção de câncer de pele. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu início a um tratamento complementar de…

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu início a um tratamento complementar de radioterapia superficial no couro cabeludo. A medida ocorre após a remoção de um carcinoma basocelular, o tipo mais comum de câncer de pele. Conforme informado pelo Hospital Sírio-Libanês, as sessões possuem caráter preventivo e não são esperados efeitos colaterais significativos.

O carcinoma basocelular representa aproximadamente 80% dos casos de câncer de pele não melanoma diagnosticados no Brasil. Apesar de raramente causar metástase, o tumor tem o potencial de crescer lentamente por anos, destruindo tecidos próximos. Se não tratado, pode levar a deformidades. A equipe médica esclareceu que a lesão identificada em Lula era localizada e não apresentava disseminação para outras partes do corpo.

O que é o carcinoma basocelular

Este tipo de câncer de pele origina-se nas células basais, localizadas na camada mais profunda da epiderme. Geralmente manifesta-se em áreas do corpo mais expostas ao sol, como o rosto, orelhas, pescoço e couro cabeludo. A oncologista Veridiana Camargo detalha que o tumor tem um crescimento lento e restrito à área afetada, destruindo tecidos adjacentes, mas com baixa probabilidade de se espalhar pelo corpo. O principal risco reside na sua progressão quando não há tratamento.

A doença pode ser confundida com feridas comuns e, em muitos casos, não causa dor, o que pode levar a um atraso na procura por assistência médica. Os sinais de alerta incluem feridas que demoram a cicatrizar, lesões que sangram com facilidade, crostas persistentes, nódulos de aparência brilhante ou avermelhada, e manchas que descamam repetidamente.

Exposição solar é o principal fator de risco

A exposição crônica e desprotegida ao sol ao longo da vida constitui o principal fator de risco para o desenvolvimento do carcinoma basocelular. Indivíduos com pele clara, olhos claros, histórico de queimaduras solares e aqueles que trabalham sob exposição solar prolongada apresentam maior risco. A idade é outro fator relevante, com o tumor tipicamente surgindo após os 40 anos, embora possa aparecer mais cedo em pessoas com alta exposição à radiação ultravioleta.

O couro cabeludo é uma região particularmente suscetível, especialmente em pessoas com rarefação capilar ou calvície, devido à exposição solar diária.

Por que Lula fará radioterapia

A cirurgia é o tratamento de escolha para a maioria dos casos de carcinoma basocelular, alcançando taxas de cura superiores a 90%. Contudo, em certas situações, tratamentos complementares são recomendados para minimizar o risco de recorrência, especialmente em áreas delicadas ou quando há preocupação com a persistência de células microscópicas após a cirurgia.

No caso do presidente Lula, ele realizará 15 sessões de radioterapia superficial no couro cabeludo. Este método utiliza radiação de baixa profundidade, focada na pele, sem afetar estruturas internas. O radio-oncologista Wilson José de Almeida Jr. explica que a radioterapia pode ser indicada após a cirurgia em cenários como tumores próximos a órgãos sensíveis, recorrência da doença, tumores de grande porte ou agressivos, margens cirúrgicas estreitas, ou quando a cirurgia resultaria em um grande defeito anatômico.

Almeida Jr. acrescenta que, para tumores localizados no couro cabeludo, a radioterapia superficial é uma opção frequente após a intervenção cirúrgica, sobretudo se a lesão estiver próxima a estruturas ósseas. A combinação da cirurgia com a radioterapia pode elevar a taxa de cura para até 95%. Ele também destaca a precisão da radioterapia moderna, que minimiza a exposição de órgãos adjacentes.

As sessões de radioterapia de Lula devem ser breves, com duração aproximada de 10 minutos, e não devem interferir em sua rotina diária. Não são antecipados efeitos colaterais que exijam afastamento de atividades profissionais ou sociais.

Quando o tumor pode se tornar grave

Embora o risco de metástase seja muito baixo, o carcinoma basocelular pode evoluir de forma agressiva localmente se for negligenciado. Em estágios avançados, o tumor tem a capacidade de atingir cartilagens, ossos e estruturas profundas da face, especialmente nas regiões do nariz, olhos e orelhas. Dermatologistas aconselham atenção a qualquer lesão que permaneça aberta por mais de quatro semanas.

Quem já teve precisa manter acompanhamento

Pacientes com histórico de carcinoma basocelular apresentam um risco aumentado de desenvolver novas lesões. Por isso, o acompanhamento dermatológico periódico é fundamental. A prevenção primária mantém o foco na proteção solar diária, o que inclui o uso de protetor solar, chapéus, bonés, vestimentas com proteção UV e a evitação da exposição solar intensa nos horários de pico, entre 10h e 16h.

Fonte: G1