O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou um tratamento complementar de radioterapia superficial no couro cabeludo. A medida ocorre após a remoção, em abril, de um carcinoma basocelular, o tipo mais comum de câncer de pele. Segundo o Hospital Sírio-Libanês, as sessões têm caráter preventivo e não devem causar efeitos colaterais significativos.

O carcinoma basocelular representa cerca de 80% dos casos de câncer de pele não melanoma no Brasil, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Embora raramente cause metástase, especialistas alertam que o tumor pode crescer lentamente por anos, destruir tecidos adjacentes e levar a deformidades se não for tratado. A equipe médica de Lula informou que a lesão era localizada e não havia se disseminado para outras partes do corpo.
O que é o carcinoma basocelular
O carcinoma basocelular se origina nas células basais da pele, localizadas na camada mais profunda da epiderme. Ele geralmente aparece em áreas mais expostas ao sol, como rosto, orelhas, pescoço e couro cabeludo. A oncologista Veridiana Camargo, da Beneficência Portuguesa de São Paulo, explica que o tumor cresce de forma lenta e local, destruindo tecidos ao redor, mas raramente se espalha. O principal risco é a evolução sem tratamento.
A doença pode ser confundida com feridas comuns e muitas vezes não causa dor, o que pode atrasar a busca por ajuda médica. Sinais frequentes incluem feridas que não cicatrizam, lesões que coçam e sangram facilmente, crostas persistentes, nódulos brilhantes ou avermelhados, e manchas que descamam repetidamente.
Exposição solar é o principal fator de risco
A exposição crônica ao sol sem proteção ao longo da vida é o principal fator associado ao carcinoma basocelular. Pessoas com pele clara, olhos claros, histórico de queimaduras solares e trabalhadores expostos ao sol por longos períodos têm maior risco. A idade também é um fator, com o tumor geralmente aparecendo a partir dos 40 anos, embora possa surgir mais cedo em indivíduos com alta exposição à radiação ultravioleta. O couro cabeludo é particularmente vulnerável em pessoas com calvície ou rarefação capilar.
Por que Lula fará radioterapia
A cirurgia é o tratamento padrão para a maioria dos carcinomas basocelulares, com taxas de cura acima de 90%. No entanto, em alguns casos, tratamentos complementares são indicados para reduzir o risco de recorrência, especialmente em lesões localizadas em áreas delicadas ou quando há preocupação com células microscópicas remanescentes. Este é o caso do presidente Lula.
O presidente realizará 15 sessões de radioterapia superficial no couro cabeludo. Este método utiliza radiação de baixa profundidade, focada na pele, sem atingir estruturas internas. O radio-oncologista Wilson José de Almeida Jr. explica que a radioterapia pode ser indicada em situações como quando a retirada cirúrgica completa é difícil, em casos de recorrência da doença, tumores grandes ou agressivos, margens cirúrgicas pequenas, ou quando a cirurgia poderia causar um grande defeito anatômico. Em casos de tumores no couro cabeludo, a radioterapia superficial após a cirurgia é comum, especialmente se o tumor estiver próximo às estruturas ósseas, pois pode aumentar a taxa de cura para até 95% quando combinada com a cirurgia.
Almeida Jr. ressalta que a radioterapia moderna possui alta precisão, minimizando a exposição de órgãos e tecidos adjacentes. As sessões de Lula devem ser breves, com duração aproximada de 10 minutos, e não devem impactar sua rotina diária, pois não são esperados efeitos colaterais debilitantes.
Quando o tumor pode se tornar grave
Apesar do baixíssimo risco de metástase, o carcinoma basocelular pode se tornar localmente agressivo se negligenciado. Em estágios avançados, pode atingir cartilagens, ossos e estruturas profundas da face, especialmente ao redor do nariz, olhos e orelhas. Dermatologistas recomendam atenção a qualquer lesão que persista por mais de quatro semanas.
Quem já teve precisa manter acompanhamento
Pacientes com histórico de carcinoma basocelular têm maior risco de desenvolver novas lesões. O acompanhamento dermatológico regular é essencial. A prevenção primária continua focada na proteção solar diária, incluindo o uso de protetor solar, chapéus, bonés, roupas com proteção UV e a evitação da exposição solar intensa entre 10h e 16h. Tratamentos modernos como terapias-alvo e imunoterapia também são utilizados em casos avançados da doença.
Fonte: G1