A queima de gordura durante a prática de exercícios físicos não ocorre de forma imediata. O organismo alterna entre diferentes fontes de energia conforme a duração e a intensidade da atividade, um processo fundamental para quem busca o emagrecimento ou a melhora da composição corporal.
Glicogênio domina a fonte de energia inicial
Nos momentos iniciais do exercício, o corpo utiliza prioritariamente o glicogênio, que é a reserva de carboidratos armazenada nos músculos e no fígado. Essa fonte é escolhida por ser mobilizada rapidamente, garantindo energia eficiente para atividades intensas, como a musculação ou exercícios aeróbicos de curta duração.
Transição para oxidação lipídica ocorre após 20 minutos
Após cerca de 20 a 30 minutos de atividade contínua em intensidade moderada, o organismo passa a recorrer de forma mais expressiva à gordura como combustível. Embora a oxidação lipídica ocorra desde o início, sua participação na matriz energética aumenta conforme os estoques de glicogênio diminuem.
“Desde o início do exercício, o corpo utiliza uma mistura de carboidratos e gordura para gerar energia. Mas a queima de gordura ganha mais destaque geralmente após alguns minutos de exercício contínuo em intensidade leve a moderada. Isso acontece porque, com o tempo, os estoques de carboidrato (glicogênio) vão se esgotando, fazendo com que o corpo precise recorrer mais à gordura como fonte de energia”, explica Yuri Sena Santos, médico do exercício e do esporte.
Treinamento melhora eficiência na queima de gordura
O nível de preparo do indivíduo influencia diretamente a rapidez com que o corpo acessa as reservas de gordura. Atletas treinados possuem adaptações metabólicas que permitem utilizar esse combustível de forma mais precoce e eficiente, enquanto sedentários dependem mais dos carboidratos nas fases iniciais.
“Pessoas mais treinadas desenvolvem adaptações metabólicas que aumentam a eficiência da queima de gordura, mesmo em intensidades mais elevadas. Isso acontece porque o sistema cardiovascular e a capacidade mitocondrial melhoram com o treino, favorecendo o uso de gordura como combustível. Já em pessoas sedentárias, o corpo tende a depender mais de carboidratos e demora mais a acessar as reservas de gordura”, diz Rogério Sthanke, educador físico.
Intensidade influencia o consumo calórico pós-exercício
A escolha da intensidade também dita o consumo energético. Exercícios de baixa a moderada intensidade, como caminhadas, favorecem o uso de gordura, enquanto treinos intensos priorizam carboidratos, embora gerem um gasto calórico total superior. Além disso, o fenômeno EPOC mantém a queima calórica elevada após o treino.
“Por isso, para quem busca queima de gordura, exercícios mais longos e de intensidade moderada são uma boa escolha — mas isso não significa que treinos curtos ou intensos não tenham seus benefícios”, acrescenta Sthanke.
A regularidade é o fator determinante para o sucesso a longo prazo. O treinamento constante não apenas melhora a capacidade de queimar gordura, mas também aumenta a massa muscular, elevando a Taxa Metabólica Basal do indivíduo.
“Quem treina regularmente desenvolve adaptações como melhor transporte de gordura para dentro das células e maior eficiência na queima desse combustível. Com o treino também conseguimos aumentar a massa muscular, o que acaba aumentando a nossa Taxa Metabólica Basal, que é a quantidade de calorias que nosso corpo precisa para funcionar em repouso. Ou seja, quanto melhor o condicionamento, maior a capacidade de queimar gordura”, finaliza Santos.
Fonte: Cnnbrasil