O czar da segurança eleitoral do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tentou no ano passado proibir as máquinas de votação da Dominion Voting Systems, utilizadas em mais da metade dos estados americanos. O movimento questionava se o Departamento de Comércio poderia declarar os componentes das urnas como riscos à segurança nacional, conforme relataram duas fontes próximas ao caso.
Kurt Olsen, advogado encarregado por Trump de refutar teorias da conspiração sobre fraude eleitoral, foi o principal articulador do plano. A iniciativa surgiu durante debates internos sobre como o governo federal poderia assumir o controle das eleições, competência que, na estrutura federativa americana, pertence aos estados.
Olsen defendia a implementação de um sistema nacional de contagem manual de votos em cédulas de papel. Contudo, especialistas em segurança eleitoral alertam que a contagem manual seria menos precisa e potencialmente mais arriscada do que o sistema atual, que utiliza máquinas com registros em papel auditáveis em quase todas as cidades do país.
Fracasso na comprovação de riscos à segurança
O plano avançou até setembro, quando funcionários do Departamento de Comércio avaliaram quais fundamentos legais poderiam ser invocados para a proibição. A estratégia fracassou porque a equipe de Olsen não conseguiu apresentar provas concretas que justificassem a medida como uma questão de segurança nacional.
O episódio integra uma ampla iniciativa do governo Trump para alterar a autoridade dos governos estaduais na condução dos pleitos. Paralelamente, investigadores em pelo menos oito estados buscaram registros confidenciais e pressionaram por acesso a equipamentos de votação, reexaminando casos de fraude que já haviam sido rejeitados por tribunais.
Paul McNamara, assessor sênior da diretora de inteligência nacional, e Brian Sikma, assistente especial do Conselho de política Interna, participaram das deliberações. McNamara solicitou ao Departamento de Comércio que considerasse a designação de chips e softwares da Dominion como ameaça, mas o secretário Howard Lutnick não se envolveu diretamente.
Riscos de caos no sistema eleitoral
Especialistas temem que o governo pretenda suprimir o voto e contestar derrotas com alegações infundadas. Atualmente, mais de 98% das jurisdições eleitorais dos Estados Unidos produzem registros em papel para cada voto, garantindo rastreabilidade para auditorias.
“Mudar para a contagem manual seria caótico e poderia facilitar a fraude”, afirmou Alex Halderman, professor de ciência da computação da Universidade de Michigan. A Casa Branca, por meio do porta-voz Davis Ingle, classificou as informações como desinformação.
O esforço baseou-se em teorias refutadas de que computadores da Dominion teriam códigos controlados por venezuelanos. Em 2025, uma missão federal apreendeu máquinas em Porto Rico, mas análises técnicas encontraram apenas chips fabricados na China, Japão e Coreia do Sul, sem evidência de invasão ou código estrangeiro malicioso.
Fonte: Cnnbrasil