O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, imprime uma interpretação literal ao lema contido em seu selo presidencial, “de muitos, um”. Em uma semana marcada por decisões controversas, o mandatário focou sua gestão em benefícios próprios, enquanto demonstra indiferença à crise de acessibilidade financeira que atinge milhões de americanos.
A postura tem gerado desconforto até mesmo entre aliados. O Departamento de justiça proibiu permanentemente auditorias da Receita Federal sobre os assuntos fiscais do presidente e de sua família. A medida integra um acordo decorrente de um processo de US$ 10 bilhões movido pelo próprio Trump contra o governo, após o vazamento de suas declarações de imposto de renda.
Fundo de indenização gera revolta no Senado com US$ 1,776 bilhão
Outro ponto de tensão é a criação de um fundo de US$ 1,776 bilhão para indenizar cidadãos que alegam ter sido vítimas de justiça instrumentalizada pelo governo anterior. O plano, que pode beneficiar condenados pelo ataque ao Capitólio em 2021, foi duramente criticado por parlamentares republicanos.
“Não acredito que indivíduos que foram condenados por violência contra policiais em 6 de janeiro devam ter direito ao reembolso de seus honorários advocatícios”, afirmou a senadora Susan Collins. O senador Thom Tillis classificou a proposta como “uma estupidez sem tamanho”, enquanto o ex-líder republicano Mitch McConnell foi ainda mais incisivo: “Então, a principal autoridade policial do país está pedindo um fundo secreto para pagar pessoas que agridem policiais? Completamente estúpido, moralmente errado – escolha o que preferir”.
Trump avança com obra de salão de baile na Casa Branca
Trump também avança com a construção de um salão de baile na Ala Leste da Casa Branca. O presidente defende a obra como um legado para a nação, embora o projeto envolva o uso de recursos do Serviço Secreto para melhorias de segurança subterrâneas. “O que eu faço de melhor na vida é construir”, declarou o presidente durante visita guiada ao local.
Apesar da insistência de que o projeto é um presente para os Estados Unidos, críticos apontam conflitos éticos e prioridades distorcidas. O senador democrata Chris Van Hollen criticou a postura do governo, escrevendo em rede social: “Trump em primeiro lugar, trabalhadores americanos em último”. A oposição ao projeto é corroborada por pesquisas, que indicam que 56% dos americanos se opõem à demolição da Ala Leste para a construção do salão.
Centralização do poder e punições na política partidária
A estratégia de centralização de poder também se reflete na política partidária, com Trump punindo parlamentares considerados desleais. A lista de desafetos inclui nomes como o deputado Thomas Massie e o senador John Cornyn, que enfrentam dificuldades em suas primárias após críticas ou falta de apoio entusiasmado ao presidente. O cenário reforça a percepção de que o cargo é utilizado como instrumento de poder pessoal, em vez de focar em mudanças estruturais para o país.
Fonte: Cnnbrasil