O que você precisa saber
- O governo chinês contesta o Industrial Acceleration Act da União Europeia por criar barreiras ao investimento externo.
- A legislação europeia prioriza produtos fabricados no bloco em setores estratégicos, o que Pequim classifica como discriminação.
- A China sinalizou a adoção de medidas de retaliação caso o diálogo sobre a norma não avance conforme esperado.
O Ministério do Comércio da China manifestou forte oposição à estratégia da União Europeia de fortalecer sua base fabril local. Pequim alega que o plano impõe restrições severas ao capital estrangeiro, violando princípios estabelecidos pela Organização Mundial do Comércio.

Lançada pela Comissão Europeia em março, a iniciativa busca incentivar a demanda por tecnologias de baixo carbono. O foco da discórdia é a preferência declarada por itens com selo de origem europeia em licitações públicas e políticas de suporte estatal.
Setores estratégicos sob novas regras
Exigências de conteúdo local
O Industrial Acceleration Act foca em tecnologias limpas, setor automotivo e indústrias de alto consumo de energia, como aço e alumínio. A norma estabelece exigências rigorosas de conteúdo local para acesso a benefícios.
Para o segmento de veículos elétricos, o governo exige que **70% dos componentes** sejam de origem europeia. Já para os setores de cimento e alumínio, a regra fixa o índice em **25%**.
Impacto no mercado de trabalho
Perda de postos e soberania
Stéphane Séjourné, comissário europeu para a Indústria, defende a medida como necessária para salvaguardar o emprego. Desde 2024, mais de **200 mil postos de trabalho** foram eliminados nos setores automotivo e de energia intensiva.
Projeções de mercado indicam o risco de perda de mais 600 mil empregos na próxima década. O porta-voz da Comissão Europeia, Olof Gill, afirmou que as propostas visam fortalecer a soberania e a segurança econômica, mantendo canais abertos para negociações com parceiros globais.

Fonte: Euronews