Instalações nucleares e tensão militar entre Estados Unidos e Irã. Instalações nucleares e tensão militar entre Estados Unidos e Irã.

Estados Unidos pressionam Irã por entrega de urânio enriquecido

Estados Unidos pressionam Irã pela entrega de urânio enriquecido enquanto analistas avaliam riscos de um novo conflito militar na região do Oriente Médio.

Os Estados Unidos afirmam ter observado algum progresso nas negociações com o Irã, mas reconhecem que ainda é necessário avançar para se chegar a um acordo. O principal ponto de impasse continua sendo o programa nuclear iraniano, especialmente a questão do urânio altamente enriquecido em posse de Teerã.

Enquanto Washington e Teerã não chegam a um entendimento, países da região intensificam esforços diplomáticos para evitar um recrudescimento do conflito. O chefe das Forças Armadas do Paquistão, Hassim Munir, e uma delegação do Catar chegaram ao Irã para intensificar o diálogo e buscar resolver os principais impasses entre as duas partes.

O governo dos Estados Unidos pressiona o Irã a transferir urânio enriquecido a níveis próximos ao necessário para a confecção de ogivas nucleares. As autoridades iranianas, no entanto, rejeitam a ideia de repassar o material a um inimigo histórico da República Islâmica.

Propostas que visam transferir o material para países considerados mais amistosos, como Turquia e Rússia, são vistas como opções mais palatáveis entre autoridades em Teerã, mas não há consenso interno sobre o tema. Imagina-se que o urânio esteja armazenado em cilindros de gás em instalações subterrâneas, cujos acessos teriam sido destruídos pela onda de ataques realizados por Estados Unidos e Israel em meados de 2025.

A agência de notícias iraniana Tasnim publicou que houve progressos em alguns pontos das conversas, mas que um acordo só deve ser alcançado se houver consenso sobre todas as questões em pauta. Na Suécia, durante uma reunião da Otan, o americano Michael Rubio fez declarações semelhantes.

Irã negocia a partir de posição de força no Estreito de Ormuz

Para Paulo Filho, mestre em Ciências Militares, o Irã sente que tem vantagem nas negociações. “O Irã sente que negocia a partir de uma posição de força”, afirmou, explicando que o fechamento do Estreito de Ormuz pelo país causa uma grande disrupção econômica que afeta o cenário internacional e pressiona os Estados Unidos.

Paulo Filho destacou ainda que a liderança iraniana já reiterou, em diversas ocasiões, que não abrirá mão do seu programa nuclear, o que aprofunda o impasse. Segundo ele, o fim de semana em questão aponta para uma possível data-limite para uma decisão americana, especialmente considerando o feriado do Memorial Day na segunda-feira (25), que manteria as bolsas fechadas e amorteceria o impacto econômico de um eventual ataque.

O analista de Internacional Lourival Sant’Anna avaliou que há uma confluência de fatores apontando para uma possível ação militar. “Trump simplesmente não consegue arrancar dos iranianos a concessão que ele acredita necessitar”, disse, referindo-se à entrega dos 441 quilos de urânio altamente enriquecido.

Dificuldades militares e riscos de um novo ataque

Sant’Anna lembrou que Donald Trump anunciou que não comparecerá ao casamento do filho, Donald Trump Jr., nas Bahamas neste fim de semana, optando por permanecer na Casa Branca. Para o analista, Trump emprega duas táticas simultâneas: demonstrar que tudo converge para um ataque, exercendo pressão sobre as negociações, e ao mesmo tempo preparar uma ação militar real.

Questionado sobre se um novo ataque mudaria o status quo das negociações, Sant’Anna foi categórico: “Na negociação, não”. Segundo ele, o Irã já precifica esses ataques e tem uma tolerância à dor maior do que a de Trump. Além disso, as pressões e indicações de uma possível retomada da guerra já causam danos políticos e econômicos aos Estados Unidos, enquanto o Irã se diz preparado para um novo confronto.

O país pode atingir usinas de dessalinização, infraestruturas de produção de petróleo e gás natural, além de data centers de empresas norte-americanas na região. As falésias ao redor do Estreito de Ormuz seguem repletas de mísseis e drones que Estados Unidos e Israel não conseguiram destruir ao longo de semanas de ataques anteriores. “Por que agora conseguiriam? É uma pergunta que não tem uma boa resposta”, concluiu Sant’Anna.

Para Paulo Filho, os principais alvos de um eventual ataque seriam instalações militares, lançadores de mísseis, paióis e fábricas de combustível. Ele ressaltou, porém, que as semanas de cessar-fogo deram ao Irã tempo adicional para esconder seu material, repensar seu planejamento e se preparar para uma nova ação militar norte-americana. “É um desafio militar mesmo para a maior potência militar da história, que são os Estados Unidos”, concluiu.

Para quem busca diversificar ativos diante de incertezas geopolíticas, entender como investir nos EUA é uma estratégia comum entre investidores que buscam proteção em moedas fortes.

Fonte: Cnnbrasil