Lançamento da missão Shenzhou-23 pela China. Lançamento da missão Shenzhou-23 pela China.

China lança missão Shenzhou-23 com astronauta de Hong Kong

A China lançou a missão tripulada Shenzhou-23, que inclui a primeira astronauta de Hong Kong e focará em mais de 100 experimentos científicos em órbita.

A China realiza neste domingo (24), às 12h08 de Brasília, o lançamento da missão tripulada Shenzhou-23 a partir do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan. O voo marca um novo avanço no programa espacial chinês e representa a primeira missão tripulada do país desde 2024.

O destaque da operação é a taikonauta Li Jiaying, primeira representante de Hong Kong a integrar uma missão espacial tripulada chinesa. Especialista em carga útil, ela foi selecionada em 2022 para a quarta turma de astronautas do país após passar por treinamento rigoroso no centro nacional de preparação espacial.

Shenzhou-23 conduzirá mais de 100 experimentos científicos

Segundo autoridades chinesas, a missão dará continuidade a mais de 100 projetos científicos e tecnológicos em órbita. Os experimentos abrangem áreas como ciências da vida espacial, ciência de materiais, medicina, tecnologias emergentes e estudos sobre fluidos em ambiente de microgravidade. O objetivo central é ampliar a capacidade de pesquisa em missões de longa duração e gerar dados para futuras operações espaciais.

O porta-voz da agência espacial tripulada chinesa, Zhang Jingbo, afirmou que um dos focos será realizar o primeiro programa nacional voltado ao estudo dos efeitos de permanência prolongada de astronautas no espaço. A expectativa é reunir dados sobre adaptação fisiológica, manutenção da saúde em órbita e aperfeiçoamento dos sistemas médicos e de segurança para voos mais extensos.

Evolução técnica do programa espacial chinês

A missão simboliza uma nova fase do programa espacial chinês. O taikonauta Zhu Yangzhu afirmou que o desenvolvimento espacial do país evoluiu de missões curtas e individuais para operações com múltiplos astronautas e permanência cada vez maior em órbita. Segundo ele, o objetivo agora é consolidar a experiência necessária para futuras missões de longa duração.

Em pronunciamento, o chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, classificou a participação de Li como um momento histórico para o território. Ele afirmou que a presença de uma pesquisadora de Hong Kong na missão representa reconhecimento ao desenvolvimento científico e tecnológico local.

Ao comentar sua participação, Li Jiaying disse receber a oportunidade com “gratidão e senso de responsabilidade” e afirmou que pretende contribuir para o avanço científico e para inspirar jovens a seguirem carreiras em inovação e tecnologia.

Disputa global por bases científicas na Lua

O astrônomo e diretor do Observatório do Valongo da UFRJ, Thiago S. Gonçalves, afirmou que a corrida espacial envolvendo a tecnologia da SpaceX e a China precisa ser analisada além da disputa para chegar primeiro à Lua. Segundo ele, existem interesses econômicos, políticos e geopolíticos por trás dos novos testes.

“A China anuncia que vai chegar na Lua até 2030. Existe um interesse geopolítico por trás, não só da própria competição e dessa dita corrida com a China, mas também o cronograma da Nasa […] espera-se que o pouso do voo tripulado à Lua aconteça até 2028”, afirmou Gonçalves. O especialista destacou que o programa Artemis, da Nasa, prevê missões tripuladas à Lua até 2028, ano em que os Estados Unidos terão eleições presidenciais.

“Não é simplesmente uma questão de chegar antes ou mandar o voo tripulado antes. É importante pensar também no longo prazo”, disse. Segundo o astrônomo, caso o objetivo seja estabelecer bases científicas e laboratórios na superfície lunar, o programa espacial precisa ser sustentável e duradouro. “Não adianta chegar antes, por exemplo, se esse voo for muito caro ou cheio de riscos, porque isso não é sustentável a longo prazo”, completou.

Fonte: Cnnbrasil