O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta quinta-feira (21) que os pedidos de viagem ao exterior do deputado Mário Frias (PL-SP) não foram autorizados. Segundo o parlamentar, as solicitações ainda estão em fase de apreciação pela Casa.
A declaração de Motta responde a um questionamento formal do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que cobrou explicações sobre o prazo, os custos e os pagamentos referentes à missão internacional que o deputado alega estar cumprindo.
“O Deputado Mário Frias realizou dois pedidos de missão oficial internacional, sendo o primeiro ao Reino do Bahrein, entre 12 e 18 de maio de 2026 e afastamento solicitado de 11 a 19 de maio de 2026, e o segundo aos Estados Unidos, entre os dias 19 e 21 de maio e período de afastamento de 18 a 22 de maio de 2026. Os pedidos ainda estão em apreciação”, disse Motta.
De acordo com a Câmara, ambos os pedidos de missão internacional foram solicitados sem ônus para o Legislativo. Além disso, o presidente da Câmara esclareceu que o deputado esteve em licença para tratamento de saúde entre os dias 14 e 27 de abril.
Viagens e dificuldades de intimação judicial em tramitação
Mário Frias viajou ao Bahrein na semana passada em uma missão organizada pela embaixada do país para fortalecer as relações bilaterais com o Brasil. O parlamentar ainda não retornou ao território brasileiro, em um momento no qual a Justiça tenta notificá-lo sobre uma ação que questiona o repasse de verbas públicas.
Há mais de um mês, um oficial de Justiça busca intimar o deputado sobre o uso de emendas parlamentares destinadas a organizações não governamentais. As entidades estão ligadas à produtora do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL) que recebeu financiamento do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
O endereço fornecido pela Câmara ao Supremo para a localização do parlamentar não é mais utilizado por ele há dois anos. O gabinete de Frias informou que o deputado estava em missão internacional e não havia previsão para o seu retorno ao país, o que levou o oficial de Justiça a devolver o mandado ao ministro Flávio Dino.
Repasses de R$ 2 milhões para Instituto Conhecer Brasil
Mário Frias teria destinado R$ 2 milhões em duas emendas parlamentares para o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira da Gama, que atua como produtora do filme sobre o ex-presidente. O caso é alvo de uma ação movida pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP).
Em 21 de março, o ministro Flávio Dino determinou que o deputado se manifestasse em cinco dias sobre os fatos relatados na ação. Após três tentativas frustradas de intimação no gabinete parlamentar em abril, o ministro solicitou que a Câmara informasse endereços atualizados, mas as novas buscas realizadas na última semana também não obtiveram sucesso.

Fonte: G1