A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrenta um momento de instabilidade política, agravado por novas revelações sobre seus contatos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O episódio, que envolve o uso de mensagens de visualização única, gera questionamentos sobre a transparência do parlamentar e amplia a desconfiança de aliados e do setor financeiro.
Desgaste político atinge 70% de menções negativas
As contradições nas explicações sobre a relação com Vorcaro e o financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro impactaram a imagem do senador. Dados da AP Exata indicam que Flávio atingiu 70% de menções negativas nas redes sociais, um índice inédito para a campanha.
O cenário provoca reações de outros nomes da direita, como o governador Romeu Zema (Novo), que classificou as explicações como insuficientes, e Ronaldo Caiado (PSD), que questionou a autoridade moral do parlamentar. Internamente, o PL lida com divisões estratégicas entre a ala bolsonarista de raiz e setores políticos mais amplos.
Em uma tentativa de reorganizar a comunicação, a campanha trocou seu marqueteiro, passando a contar com Eduardo Fischer. Contudo, analistas apontam que a crise de confiança é profunda e afeta a interlocução com o eleitorado de centro e com o mercado financeiro.
Plano econômico de Adolfo Sachsida busca retomar apoio
Para tentar reverter o cenário de isolamento, a equipe de Flávio Bolsonaro busca apoio entre empresários em São Paulo para apresentar as diretrizes de seu programa, batizado de “Projeto Brasil”. O plano foi formulado pelo economista e ex-ministro Adolfo Sachsida.
O projeto defende uma ruptura com o modelo de expansão estatal. Entre as medidas centrais propostas pelo ex-ministro estão:
- Substituição da meta de resultado primário por uma âncora fiscal baseada na relação dívida/PIB;
- Realização de privatizações e concessões para reduzir o peso do Estado;
- Auditoria para eliminar subsídios ineficientes;
- Digitalização de serviços públicos para reduzir o custo Brasil.
A assessoria de Flávio confirmou que Sachsida é uma das vozes ouvidas pela campanha, embora o plano final ainda dependa de aprovação do pré-candidato. O programa defende que o setor privado seja o motor do crescimento, focando em políticas horizontais e na redução de restrições à concorrência.
Fonte: Estadão