Câmara aprova projeto que criminaliza aumento abusivo de combustíveis em contexto de Política Econômica Câmara aprova projeto que criminaliza aumento abusivo de combustíveis em contexto de Política Econômica

Câmara aprova projeto que criminaliza aumento abusivo de combustíveis

Câmara dos Deputados aprova projeto que criminaliza o aumento abusivo dos preços de combustíveis com penas de prisão de até quatro anos para infratores.

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (20), um projeto de lei enviado pelo governo que estabelece punições criminais para o aumento abusivo dos preços de combustíveis. A medida visa coibir reajustes artificiais realizados sem justificativa econômica, em um cenário de instabilidade global provocado pelo conflito no Oriente Médio.

Reajustes sem base econômica sofrem punição

O texto, que agora segue para análise do Senado, altera a legislação sobre crimes contra a ordem econômica e as relações de consumo. Segundo a proposta, o aumento de preços será considerado abusivo quando não estiver fundamentado em fatores econômicos legítimos, como a variação dos custos de produção para produtores ou distribuidores, ou quando resultar de condutas anticoncorrenciais.

O relator da matéria, deputado Merlong Solano (PT-PI), destacou que, apesar das políticas públicas adotadas pelo governo para mitigar os efeitos da guerra entre Irã e Estados Unidos — que elevou o preço do barril de petróleo de menos de US$ 70 para mais de US$ 120 em março de 2026 —, os preços ao consumidor final continuaram subindo, o que sugere falhas na transmissão dos efeitos das medidas governamentais.

Prisão de até quatro anos para infratores

O projeto prevê pena de dois a quatro anos de prisão, além de multa, para os infratores. A punição pode ser agravada em um terço até a metade caso a prática ocorra em contextos específicos, como:

  • Situações de calamidade pública oucrisede abastecimento;
  • Instabilidade relevante nomercadofornecedor;
  • Quando praticada por agentes econômicos com posição dominante no mercado.

Para a aplicação da lei, o texto determina que o Ministério Público estabeleça acordos de cooperação com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para a investigação dos ilícitos. O tema já vinha sendo monitorado pelas autoridades; em março, a Polícia Federal instaurou inquérito para apurar abusos no setor, em ação conjunta com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).

Fonte: G1