O que você precisa saber
- O dólar comercial fechou o pregão cotado a **R$ 4,9977**, uma queda diária de 0,10%.
- A moeda americana mantém resiliência no mercado brasileiro, apesar da pressão por tensões geopolíticas globais.
- OBanco Centraloptou por não realizar intervenções no mercado de câmbio durante esta sexta-feira.
O câmbio doméstico oscilou intensamente ao longo da sessão, pressionado pela percepção de risco global e pela volatilidade nos preços do petróleo. Embora tenha registrado alta no período da manhã, a divisa encerrou o dia abaixo da marca psicológica de R$ 5, refletindo a cautela de investidores frente aos fluxos globais e ao cenário fiscal interno.
Apesar do recuo diário, a moeda acumulou alta de 0,29% na semana. O movimento, contudo, mostrou-se mais contido no real do que em outras moedas de países emergentes, sinalizando uma relativa força da divisa brasileira frente aos seus pares internacionais.
Geopolítica e prêmios de risco
Tensões entre Estados Unidos e Irã ditam o ritmo
A percepção de risco derivada do conflito entre Estados Unidos e Irã influenciou o desempenho dos ativos financeiros. O anúncio de uma possível nova rodada de negociações entre o Paquistão e as nações envolvidas trouxe alívio, reduzindo prêmios de risco que pressionavam o mercado de câmbio.
Durante o dia, o dólar comercial variou entre a mínima de R$ 4,9944 e a máxima de R$ 5,0258. O mercado futuro apresentou desempenho mais expressivo, com o contrato para maio recuando 0,89% e encerrando o dia a **R$ 4,9940**.
Otimismo de bancos estrangeiros com o real
Projeções para o câmbio são revisadas para baixo
O apetite do investidor estrangeiro sustenta o real. Estrategistas do Bank of America destacam o Brasil como um dos mercados emergentes com melhor desempenho diante da alta das commodities. O Goldman Sachs revisou suas projeções, reduzindo a estimativa para o dólar em três meses de R$ 5,20 para **R$ 4,90**.
A equipe do Goldman Sachs, liderada por Kamakshya Trivedi, aponta que a trajetória cautelosa do Banco Central na redução dos juros mantém o ‘carry’ atrativo. A expectativa é que a autoridade monetária adote um corte de 25 pontos-base na próxima reunião, favorecendo posições compradas em moeda brasileira.
Intervenções do Banco Central
Liquidez e comportamento do mercado
O Banco Central surpreendeu o mercado ao não aceitar propostas no leilão de ‘casadão’ de US$ 1 bilhão realizado hoje. A operação, que consistiria na venda de dólares à vista e recompra via swap cambial reverso, não obteve sucesso.
O dólar ‘casado’ encerrou o dia em 6,80 pontos. O spread entre a taxa do ‘casado’ e os fed funds ficou em 0,67%, indicando uma estabilização da liquidez após a volatilidade observada durante o período da manhã.
Fonte: Globo