Hossein Vafaei, conhecido como o Príncipe da Pérsia, consolida sua trajetória no cenário internacional do esporte ao alcançar as quartas de final do Campeonato Mundial de Snooker de 2026, em Sheffield, na Inglaterra. O jogador iraniano superou o número 1 do mundo, Judd Trump, antes de ser eliminado na última quarta-feira.
“Eu não estava nervoso, aproveitei cada momento. Nasci para esse tipo de situação”, afirmou Vafaei após a partida. O atleta reforçou sua confiança ao declarar: “Estou ansioso para enfrentar qualquer um, não tenho medo de ninguém e todos eles sabem disso. Não há pressão, então por que deveria estar preocupado?”
Infância no Irã e os quatro anos de restrições de visto
Nascido no sudoeste do Irã, Vafaei começou a praticar a modalidade aos seis anos. Aos 17, tornou-se o mais jovem campeão mundial amador da história, em 2011. No entanto, sua ascensão profissional foi freada por tensões diplomáticas entre o Irã e o Reino Unido, que o mantiveram em um limbo de visto por quatro anos, impedindo sua entrada em solo britânico até 2015.
Em entrevista ao jornal britânico The Independent em 2017, Vafaei destacou sua missão pessoal: “O snooker é muito popular no Irã. O sucesso para mim fará com que o perfil do esporte se torne ainda maior. Quero melhorar o jogo no meu país de origem. Pode ser como a China; se eu conseguir um bom desempenho, poderemos ver muitos iranianos vindo para cá”.
O peso dos conflitos geopolíticos no foco esportivo
A carreira de Vafaei ocorre em paralelo a um cenário de instabilidade em seu país natal. O jogador admitiu que os conflitos recentes, incluindo protestos internos e a guerra envolvendo o Irã, Israel e os Estados Unidos, impactaram seu foco mental durante o torneio.
“É muito difícil ser iraniano neste momento. Não sei se devo estar feliz ou triste”, desabafou após a vitória sobre Trump. “Esta é a única coisa que posso fazer. Com meu taco, posso fazer algo por eles para deixá-los felizes. Para mostrar que a bandeira do Irã está lá.”
O atleta, que já utilizou braçadeiras pretas em competições anteriores em solidariedade a movimentos sociais, mantém cautela em suas declarações públicas devido à segurança de sua família que permanece no Irã. “Você recebe uma mensagem ruim durante o dia e não consegue se concentrar no seu trabalho. Eu estava ficando triste com o que está acontecendo. E não quero me abrir, mas sim, decidi lutar, lutar pelo meu povo e por todos os iranianos ao redor do mundo”, completou.
Reconhecimento técnico e a ambição pelo troféu Crucible
Após sua estreia no Mundial em 2022 e a conquista de seu primeiro torneio profissional no mesmo ano, Vafaei mudou-se permanentemente para o norte da Inglaterra. O reconhecimento de seu talento é compartilhado por seus pares, como Judd Trump, que afirmou: “Se ele fosse de outro lugar e não tivesse tido problemas de visto, ele já estaria entre os 16 melhores agora. Acho que ele é bom o suficiente para vencer todos os tipos de eventos”.
Embora tenha sido superado pelo chinês Wu Yize nas quartas de final, Vafaei mantém o foco em seu objetivo principal. “Vim morar em Sheffield para ficar ao lado do Crucible. E para imaginar um dia levantar o troféu”, disse. “O troféu do Crucible vive na minha cabeça sem pagar aluguel.”
Fonte: Dw