O Senado Federal rejeitou, nesta quarta-feira (29), a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão marca um momento histórico, sendo a primeira vez desde 1894 que a Casa barra uma escolha de um presidente da República para a Corte.
Alcolumbre prevê derrota por oito votos antes do anúncio
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), previu o resultado da votação segundos antes de sua oficialização. Em áudio captado pela transmissão da TV Senado, Alcolumbre respondeu ao líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), que o indicado perderia por oito votos. O placar final confirmou a precisão da fala: foram **34 votos favoráveis e 42 contrários**.
Em nota, a assessoria de Alcolumbre afirmou que o senador apenas deu sua opinião, baseada em avaliações que vinham sendo feitas por parlamentares nos últimos dias, o que demonstraria sua experiência na condução da Casa.
Divergências políticas e desgaste com o STF
A derrota de Messias reflete a força política de Davi Alcolumbre e um sentimento de insatisfação do Congresso em relação ao tribunal. Alcolumbre, que se recusou a receber Messias desde o anúncio da indicação, defendia a escolha de seu aliado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga.
Analistas apontam que a postura de ministros da Corte, que têm avançado sobre prerrogativas parlamentares e desautorizado Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), gerou um desgaste que influenciou a votação. O resultado impõe um desafio ao governo Lula, que precisará apresentar um novo nome para a vaga de Luis Roberto Barroso.
Após a votação, o líder do governo, Jaques Wagner, classificou o resultado como uma surpresa. “Esperava um cenário diferente, mas ressaltou que cada parlamentar votou conforme sua consciência”, afirmou o senador.
Fonte: G1