A Alphabet e a Meta superaram as expectativas de mercado em seus resultados financeiros divulgados na quarta-feira, registrando o crescimento mais rápido dos últimos anos. Ambas elevaram suas projeções de despesas de capital para o ano, sinalizando que continuarão destinando montantes expressivos para a infraestrutura de inteligência artificial.

Apesar dos números positivos, a reação de Wall Street foi distinta. As ações da Alphabet subiram 7% após o fechamento, enquanto os papéis da Meta caíram 7%. Esse movimento reflete a ausência de um braço de computação em nuvem robusto na Meta, ao contrário da Alphabet, Microsoft e Amazon, que convertem investimentos diretamente em receita.
Alphabet eleva projeção de gastos para US$ 190 bilhões
A Alphabet atualizou sua previsão de despesas de capital para 2026 para uma faixa entre US$ 180 bilhões e US$ 190 bilhões. A diretora financeira, Anat Ashkenazi, afirmou que o investimento para 2027 deve aumentar significativamente em relação aos números atuais.
O otimismo do mercado com a Alphabet é sustentado por um crescimento de 20% na receita, o mais rápido desde 2022. A divisão de nuvem registrou um salto de 63%, com uma carteira de pedidos de US$ 460 bilhões, quase o dobro do trimestre anterior, impulsionada pela alta demanda por infraestrutura tecnológica.
Meta defende estratégia de investimento em inteligência artificial
A Meta elevou sua previsão de gastos para o ano para uma faixa entre US$ 125 bilhões e US$ 145 bilhões. A empresa justificou o aumento como um reflexo de expectativas de preços mais altos para componentes e custos adicionais com centros de dados para suportar a capacidade futura.
Mark Zuckerberg, CEO da Meta, defendeu os gastos durante a teleconferência, classificando-os como vitais para o crescimento e para o negócio de publicidade. “O trend ao longo dos últimos anos parece claro, que estamos vendo um retorno crescente sobre a quantidade que podemos melhorar o engajamento para as pessoas e valor para os anunciantes”, disse Zuckerberg.
A diretora financeira da Meta, Susan Li, explicou aos analistas que a empresa precisa investir pesadamente para “atender às nossas necessidades de infraestrutura e garantir que maximizemos nossa flexibilidade estratégica ao longo dos próximos anos”. A companhia busca recursos computacionais para treinar novos modelos e expandir sua oferta de agentes de IA.
Diferenças na monetização da infraestrutura tecnológica
Enquanto a Meta desenvolve silício personalizado com a Broadcom e investe em chips da AMD, a Alphabet colhe frutos de suas apostas em chips próprios, as unidades de processamento de tensores (TPUs).
O CEO da Alphabet, Sundar Pichai, destacou a demanda durante a apresentação de resultados. “Há uma demanda tremenda tanto por soluções de IA quanto por infraestrutura de IA, incluindo interesse massivo em nossas ofertas de GPU, bem como TPUs”, afirmou Pichai.
Fonte: Cnbc