A designação das facções PCC e CV como organizações terroristas pelos Estados Unidos gera incertezas sobre os impactos econômicos no Brasil. Para a professora de Relações Internacionais da UNESP, Marília Pimenta, empresas e o setor financeiro devem ser os segmentos mais diretamente afetados pela decisão.
Em entrevista, a especialista contextualizou a medida dentro de uma agenda extraterritorial norte-americana que remonta aos atentados de setembro de 2001. Segundo ela, desde então, os Estados Unidos adotam ações preventivas e preemptivas com um arcabouço amplo, que abrange desde intervenções militares até medidas nos campos jurídico e financeiro.
Para compreender o alcance da medida, Marília destacou a importância de observar o histórico norte-americano de combate ao terrorismo na região. Ela citou o chamado “Plano Colômbia” como exemplo emblemático: um acordo bilateral que envolveu a designação das FARC como grupo terrorista, associando-as ao tráfico de drogas e resultando em reformas abrangentes nos sistemas jurídico, policial e prisional colombianos.
“É importante a gente estabelecer esse retorno histórico para pensar essa agenda extraterritorial norte-americana e olhar um pouco os impactos em outros países da região para entender como esse tema se aproxima aqui do Brasil“, afirmou a especialista.
PCC e CV possuem capilaridade na economia brasileira
Segundo Marília, o PCC e o CV possuem ampla capilaridade na economia nacional, atuando em diversas atividades que envolvem terceiros. Essa característica é o que torna empresas e instituições financeiras os alvos mais vulneráveis à nova legislação norte-americana.
“Nós temos impactos diretos em empresas no nosso setor financeiro que podem estar vinculados ou de alguma forma abastecer o crime organizado no país”, explicou a docente.
Monitoramento de atores vinculados ao crime organizado
A especialista ressaltou que os atores que, direta ou indiretamente, mantêm vínculos com essas organizações passarão a ser monitorados e deverão responder à legislação dos Estados Unidos. O cenário de sanções preocupa analistas sobre o risco para a economia nacional.
“Essas duas organizações têm uma série de penetrações dentro da economia brasileira em diversas atividades, e todas elas envolvem outros atores — terceiros — que passarão a ser monitorados e terão que responder a uma legislação que hoje é norte-americana”, concluiu Marília.
Fonte: Cnnbrasil