Fachada da sede da Raízen em São Paulo. Fachada da sede da Raízen em São Paulo.

Raízen oferece até R$ 5 bi a credores e mantém controle do conselho

A Raízen propôs aporte de R$ 5 bilhões para reestruturar dívida de R$ 65 bilhões, mas mantém controle do conselho e rejeita exigências de credores.

O que você precisa saber

  • A Raízen propôs um aporte de até R$ 5 bilhões em novo capital para reestruturar uma dívida de R$ 65 bilhões.
  • A companhia rejeitou a exigência dos credores de abrir mão do controle do conselho de administração.
  • O prazo limite para um acordo extrajudicial que evite a recuperação judicial é 6 de junho.

A Raízen apresentou uma nova proposta aos seus credores visando equacionar uma dívida de R$ 65 bilhões. O plano inclui a injeção de capital entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5 bilhões, montante que se soma aos R$ 4 bilhões já comprometidos pela Shell e pelo empresário Rubens Ometto.

Resistência na governança e controle

Manutenção do conselho

Apesar da oferta de capital, a empresa mantém a resistência em ceder o controle do conselho de administração. A permanência de Rubens Ometto na presidência do colegiado permanece como um ponto de tensão central nas negociações com bancos e detentores de bônus, que defendem sua saída.

Comitê de acompanhamento

Como concessão, a companhia aceitou a criação de um comitê de credores para monitorar a governança corporativa. A empresa reiterou a oferta de converter dívida em ações, garantindo aos credores uma participação de 70% no capital social, mas descartou a venda de ativos na Argentina para amortização imediata.

Desafios operacionais e financeiros

Impacto dos juros e investimentos

A crise na Raízen é reflexo de uma combinação de juros elevados e investimentos que não atingiram o retorno esperado. O cenário de alavancagem elevada pressionou o fluxo de caixa e resultou no rebaixamento da nota de crédito da companhia para níveis de especulação.

Contexto de mercado

O setor de energia enfrenta volatilidade, influenciado por fatores macroeconômicos globais. A gestão da dívida ocorre em um momento em que o estoque de crédito no país exige cautela, enquanto o mercado monitora as decisões do Banco Central sobre a trajetória dos juros básicos.

Fonte: Infomoney