Profissional personal organizer organizando um closet de forma funcional. Profissional personal organizer organizando um closet de forma funcional.

Personal organizer fatura até R$ 20 mil com organização

O setor de personal organizer cresce no Brasil com serviços personalizados que podem render até R$ 20 mil mensais para profissionais capacitadas.

Organizar um guarda-roupa por cores ou otimizar a cozinha para o uso diário deixou de ser um privilégio de celebridades. O trabalho das personal organizers, ou organizadoras pessoais, cresce no Brasil ao oferecer soluções funcionais que unem praticidade e bem-estar. O serviço é altamente personalizado e pode render até R$ 20 mil mensais, embora os ganhos variem conforme a experiência da profissional, a região e a complexidade de cada projeto.

Equipe de organizadores trabalhando em closet
Serviços de organização domiciliar ganham espaço no mercado brasileiro.

A organização personalizada conforme a rotina do cliente

Segundo Ana Alarcon, presidente da Associação Nacional de Profissionais de Organização e Produtividade (ANPOP), a atuação vai muito além da estética. “O trabalho começa entendendo a rotina e as necessidades de cada cliente. Não existe organização padrão, porque cada casa e cada pessoa funcionam de um jeito”, afirma.

O mercado atende desde residências, organizando cômodos específicos ou imóveis inteiros, até nichos corporativos como escritórios e lojas. O setor, que se estruturou nos Estados Unidos na década de 1980, ganhou força no Brasil nos últimos 15 anos, com um salto de demanda durante a pandemia, quando a casa passou a concentrar trabalho e convivência.

Trajetórias de empreendedoras que superam R$ 20 mil mensais

Muitas profissionais migram do regime CLT para o negócio próprio em busca de maior flexibilidade e renda. Cora Fernandes, personal organizer há dez anos, destaca a importância da profissionalização. “Hoje eu digo que não consigo viver apenas da organização. Passei a trabalhar também com comunicação voltada à organização. Sou personal organizer, mas entendi a necessidade de me formar em marketing, porque além dos atendimentos, eu tenho uma rede com mais de 200 mil seguidores. Falar sobre organização também faz parte do meu trabalho”, resume.

Outro exemplo é Josi Martins, que atua na área há 11 anos. Após iniciar como renda extra, ela se especializou em nichos como pós-mudança e marcenaria, alcançando um faturamento mensal em torno de R$ 20 mil. Já Isabela Sekulic, que começou durante o isolamento social, foca no “método arco-íris” e diversifica sua receita com cursos profissionalizantes, além dos projetos presenciais.

Formação técnica e a realidade da profissão sem regulamentação

Apesar da expansão, a profissão ainda não é regulamentada, embora tenha sido incluída na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) em 2022. Especialistas ressaltam que, embora não haja graduação obrigatória, a formação técnica é essencial. Enquanto pequenos negócios adotam IA sem perder o toque humano, as organizadoras também buscam ferramentas de gestão para escalar seus serviços.

“No nosso trabalho, é essencial respeitar o estilo de vida e a individualidade de cada cliente. Cada casa tem sua história e cada pessoa, necessidades únicas”, resume Ana Alarcon. Os valores cobrados variam drasticamente. “Já realizei projetos de mudança que duraram 36 horas e outros que se estenderam por dois meses. Os valores podem variar de R$ 800 a R$ 100 mil”, afirma a presidente da ANPOP.

Para quem deseja ingressar na área, a recomendação é construir portfólio com pessoas próximas e buscar formações que incluam ética, precificação e marketing. “Quem quer trabalhar como personal organizer precisa entender que é uma atividade de prestação de serviço. É preciso gostar de pessoas, ter neutralidade e respeito ao entrar na casa do cliente”, conclui Alarcon.

Fonte: G1