O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) foram oficialmente incluídos na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) dos Estados Unidos. A medida, publicada no Federal Register nesta sexta-feira (5), coloca as facções brasileiras sob o mesmo regime de sanções aplicado a grupos como Hamas, Hezbollah, Al-Qaeda e Estado Islâmico.
Bloqueio de ativos e custos de compliance no setor financeiro
A classificação permite que o governo americano bloqueie ativos dessas organizações e proíba qualquer transação financeira envolvendo os grupos. Segundo a consultoria Eurasia, embora a decisão não deva ser revertida, o impacto direto sobre o Brasil tende a ser modesto.
A análise da consultoria aponta que o ônus recairá principalmente sobre o setor financeiro, que enfrentará custos mais elevados de compliance. Além disso, empresas de setores como agronegócio, mineração, energia, infraestrutura, logística e construção deverão realizar auditorias para verificar se possuem qualquer exposição indireta às facções.
Estratégia americana na América Latina e precedentes regionais
A inclusão das facções brasileiras faz parte de uma estratégia mais ampla do governo de Donald Trump para pressionar organizações criminosas na América Latina. Nos últimos anos, seis países da região foram alvo de medidas similares: México, Colômbia, Haiti, Equador, El Salvador e Venezuela.
Historicamente, os efeitos econômicos variam conforme o país. No caso do México, a designação de cartéis como terroristas em 2025 resultou em sanções diretas contra três instituições financeiras — CIBanco, Intercam e Vector Casa de Bolsa —, que foram proibidas de operar no sistema americano. Na Venezuela, as medidas incluíram a apreensão de navios-tanque de petróleo.
Apesar desses precedentes, a Eurasia reforça que a realidade brasileira apresenta contornos distintos. A consultoria sugere que as repercussões para o país devem ser mais contidas do que as observadas em outras nações latino-americanas.
Fonte: Globo