Representação de regulação de big techs no Brasil. Representação de regulação de big techs no Brasil.

Oposição busca apoio de Alcolumbre para derrubar decretos de big techs

Oposição articula no Senado para derrubar decretos de Lula sobre big techs. Parlamentares buscam apoio de Davi Alcolumbre para conter novas regras.

Partidos da oposição articulam uma ofensiva para sustar os decretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que regulam a atuação das empresas de tecnologia no Brasil. O grupo busca o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para avançar com Projetos de Decreto Legislativo (PDLs) que visam anular a iniciativa do Palácio do Planalto.

Alcolumbre e oposição discutem decretos
Oposição busca apoio no Senado para barrar regulação das big techs

O presidente do Senado sinalizou abertura à estratégia dos parlamentares e solicitou que a consultoria jurídica da Casa analise se os decretos extrapolaram as prerrogativas do Poder Executivo. O foco central da resistência parlamentar recai sobre os decretos 12.975 e 12.976, que impõem novas obrigações de fiscalização e controle de conteúdo às plataformas digitais.

Decretos 12.975 e 12.976 impõem novas regras operacionais

O decreto 12.975 estabelece que a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) assuma a responsabilidade pela administração da atuação das big techs no país, incluindo a fiscalização e notificação de infrações. As plataformas devem implementar mecanismos ágeis para remover conteúdos que incitem terrorismo, automutilação, crimes contra a mulher, violência sexual e tráfico de pessoas.

Já o decreto 12.976 foca na proteção de mulheres no ambiente digital, exigindo a criação de canais permanentes para denúncias de divulgação de imagens íntimas sem consentimento. A norma prevê a remoção do material em até duas horas após a notificação e veda o uso de inteligência artificial para a produção de imagens íntimas não autorizadas. O avanço dessas tecnologias, como visto em computadores com IA autônoma, coloca o tema no centro do debate regulatório.

STF e a tramitação do marco civil da internet

As empresas de tecnologia manifestam preocupação com uma possível antecipação do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação aos decretos. A desconfiança das companhias gira em torno de uma suposta coordenação entre a publicação das medidas presidenciais e a alteração no formato do julgamento dos recursos sobre o marco civil da internet, que passou do plenário virtual para o físico.

O presidente do STF, Edson Fachin, agendou para o dia 10 de junho a análise dos embargos de declaração. Para as big techs, o julgamento presencial eleva a probabilidade de uma decisão célere sobre a regulação das redes sociais.

Oposição alega afronta à liberdade de expressão

Parlamentares da oposição argumentam que as medidas do governo ferem a liberdade de expressão e violam princípios de livre iniciativa e concorrência. A deputada Adriana Ventura (Novo-SP), autora de um dos PDLs, criticou a ausência de amparo legal para as novas exigências. “É uma perfeita afronta à liberdade de expressão, porque isso não tem lei. O governo está passando por cima de algo que não tem lei”, declarou a parlamentar.

Davi Alcolumbre confirmou que pretende dialogar com o presidente da Câmara, Hugo Motta, para alinhar a tramitação dos projetos. “Eu vou conversar com o presidente Hugo Motta, porque efetivamente um projeto de decreto legislativo votado na Câmara precisa obrigatoriamente ser votado no Senado. E, assim vice-versa, um projeto de decreto legislativo votado no Senado precisa obrigatoriamente ser votado na Câmara”, afirmou Alcolumbre.

Atualmente, 29 deputados e quatro senadores — Esperidião Amin (PP-SC), Dr. Hiran (PP-RR), Magno Malta (PL-ES) e Rogério Marinho (PL-RN) — já apresentaram PDLs para sustar os efeitos dos decretos presidenciais.

Fonte: Cnnbrasil